sábado, 8 de maio de 2010

O MONSTRO

Esta senhora chama-se Vera Lúcia Sant’Anna Gomes, tem 57 anos e é procuradora aposentada, com residência no bairro nobre de Ipanema, Rio de Janeiro, num apartamento avaliado em R$1,2 milhão (mais de 500 mil Euros). Tem ainda uma segunda habitação de férias na região de Búzios.

Esta senhora anda fugida à justiça.

Esta senhora é acusada de tortura e racismo.
Esta senhora maltratou uma menina de 2 anos que pretendia adoptar; a criança deu entrada no hospital com os dois olhos inchados e negros de pancada, além de outras escoriações pelo corpo, resultado de maus tratos anteriores e continuados. As acusações de racismo são devidas ao modo como tratava os seus empregados. Todas as acusações são corroboradas por várias testemunhas e registos sonoros das cenas de espancamento e injúria, assim como fotos do estado em que a criança ficou.


Esta senhora rejeitou todas as acusações, menos a de chamar a menina de “cachorra”; pois segundo ela era um apelido carinhoso por gostar muito de cachorros.

Esta senhora havia sido detida pela polícia para ser presente ao juiz, a pedido do Ministério Público, mas o tribunal decidiu que ela deveria ser libertada por não haver sido decretada ordem de detenção. Quando a polícia foi de novo procurar a acusada com ordem de detenção ela já havia fugido para parte incerta.

Esta senhora é um monstro e o vivo exemplo de como o aparelho judicial apenas serve para proteger os que o gerem: as elites do sistema (sejam elas oficiais ou ilegais).

quinta-feira, 6 de maio de 2010

ESPERANDO


Em tempos, assisti a um documentário da BBC montado em torno de uma entrevista a Jean Genet. Ele raramente dava entrevistas e foi um feito memorável o jornalista o ter convencido a deslocar-se a Londres para a gravação da entrevista. Genet vivia em Marrocos, longe do mundo, qual eremita.

Após uma longa entrevista, rica de conteúdos e reflexões, a pergunta sacramental: “E planos para o futuro?” Genet fez uma pausa... reflectiu... aconchegou-se na cadeira e deixou escapar: “J’ attend la mort.” (“Espero a morte.”)

Mal sabia a equipa de reportagem que essa seria a última entrevista do escritor; dias após ter regressado a casa ele faleceu.




quarta-feira, 5 de maio de 2010

O RESULTADO


O resultado da acção irresponsável e criminosa de governos decadentes e corruptos é o que se está verificando na Grécia, com uma crise que não é só deles.






Os ricos que paguem a crise!
Pode ser uma afirmação demagógica, mas não deixa de ser justa. Afinal se são os ricos quem lucra com a actrividade económica e a especulação que conduziram a esta crise...



Uma nova ordem mundial se impõe. Para quando a inteligência ao poder?





segunda-feira, 3 de maio de 2010

PETRÓLEO


A Natureza não joga às escondidas. Se Ela enterrou o petróleo bem fundo era para ele ficar lá!

domingo, 2 de maio de 2010

RURALIDADE URBANA



A nossa actual civilização é essencialmente urbana. É um facto que toda gente migra para as grandes cidades. Pelas mais diversas razões, mas principalmente em busca duma vida idealmente melhor. Mas o sonho se desfaz entre as vicissitudes duma competição desigual e desonesta.

Viver em sociedade implica inteligência e esta implica educação. É notório o descuro com a educação por parte das populações rurais. Ao trazerem para as cidades essa mentalidade, o desinteresse pelo saber persiste e as populações insistem na ignorância e tacanhez. Sem ferramentas cognitivas é fácil cair no recurso do estratagema desonesto pela preservação e subsistência.

A transferência do meio rural para o meio urbano implica uma diminuição do espaço e um aumento da privacidade.

Aprender novos modos e novos costumes implica inteligência. A inteligência de reconhecer a necessidade da mudança. A inteligência de reconhecer a inadequação do hábito e da tradição. A inteligência de perceber a dinâmica da acção individual no grupo; um grupo mais complexo e variado.
E inteligência não é o mesmo que esperteza!

sábado, 1 de maio de 2010

1 DE MAIO


Longe vai a visão romântica do operário criado pela revolução industrial exigindo os seus direitos como trabalhador, que o diferenciavam do comum escravo. Hoje o trabalhador exige direito de acesso ao trabalho e os escravos passámos a ser todos nós; escravos dum sistema despótico e desumano.


Numa sociedade rica e tecnologicamente evoluída crescem as assimetrias sociais e as desigualdades cavam abismos entre ricos e pobres. As classes sociais estratificadas pela revolução industrial tendem a se confundir numa imensa massa humana tentando sobreviver à usura duma civilização do culto ao consumo e ao lucro.


Os pobres ascenderam socialmente; são agora gente de classe média incapaz de enfrentar os custos duma existência urbana usurpadora. Abaixo desses sobrevive a indigência máxima.


Na prática o Dia do Trabalhador passou a ser uma fuga para o ócio, numa tentativa de alienação das agruras dum sistema laboral substituto (mas muito mal disfarçado) do esclavagismo. A única vantagem na emancipação do escravo a trabalhador é a remuneração mensal e as férias anuais remuneradas (quando a elas tem direito, pois muitos nem a isso têm direito). Demais o sistema produtivo atirou sobre as costas do trabalhador todo um fardo de encargos sociais que o tornaram num novo modelo de explorado: o escravo assalariado.

ONTEM, TAL COMO HOJE