
O texto: foi escrito no Rio de Janeiro aquando da minha estadia em terras cariocas em 2008 e havia sido publicado anteriormente aqui.
A foto: como diria a amiga Clarice, a foto veio daqui. É um postal ilustrado feito a partir duma imagem antiga onde se pode perceber um pouco do que eu já havia falado anteriormente; idealizar como teria sido a paisagem antes da edificação das nossas cidades actuais.
A dedicatória: à Mari e a todos os meus amigos cariocas, de quem tenho muitas saudades.
Sexta-feira, 14 de março de 2008
Há sempre dois lados; duas faces; dois mundos.
Ontem andei passeando-me por Ipanema e Copacabana. O outro mundo do Rio de Janeiro; o Rio de Janeiro com que todos sonhamos. Um mundo muito distante do Rio de Janeiro dos bairros da periferia e das favelas. Um mundo idílico de bem viver e desfrutar dos prazeres da cidadania, numa urbe moderna e que reluz como jóia entre as mais favorecidas do planeta.
Ipanema; um bairro onde harmoniosamente ladeiam o comércio, os serviços e os condomínios de habitação. Por aqui e por ali um hotel, que em nada se destaca dos condomínios de classe alta que o ladeiam. Ao fim da tarde uma tranquila agitação daqueles que regressam ao conforto dos seus lares, cruzando-se com o sexagenário que sai de bermudas, para passear o seu poodle, aproveitando a leve brisa marítima que chega da marginal ali ao lado. Na esplanada do boteque “A Espelunca”, agrupam-se amigos, ainda de camisa e gravata, num convívio coroado pelos copos de cerveja gelada. Embora com o nome sui generis, que achei divertidíssimo, de espelunca é que o bar não tem nada; pelo contrário o bom gosto da decoração exótica e bem tropical, testemunhava o requinte de quem quer servir para agradar. As ruas arborizadas e de passeios largos, profusamente ajardinados, são um convite a um passeio tranquilo e reparador, ao fim dum dia de trabalho. Um bairro saído da lâmpada de Aladino.
É este Brasil que eu quero. É este Brasil que os brasileiros merecem. É este Brasil que todos os brasileiros deveriam construir.
Mas enquanto deambulava pela lânguida Ipanema apenas uma palavra me vinha à mente: Educação.





