sábado, 13 de julho de 2013
DEMOCRACIA (RE)PARTIDA
Os partidos políticos são grandes inimigos da democracia. Eles servem de embuste para forças mais daninhas que se dissimulam no anonimato.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
HEIL OBAMA!
Esse senhor da imagem, o maior
cínico da política actual, o Hipócrita (de seu cognome), já todos conhecem.
Como podemos ver pela imagem, ele se presta a muitas facetas, todas elas
imperialistas.
Ele se tornou a grande fraude,
quando todos pensaram que por ser negro iria mudar a política dos EUA. Nada
disso! Ninguém pode mudar a estratégia hegemónica desse monstro, comandado por
interesses capitalistas muito acima das estruturas políticas nacionais.
Esse pilantra devassa a
privacidade de todo mundo. Reitero: TODO O MUNDO literalmente (mesmo de comuns
mortais como tu e eu). E persegue ferozmente quem denuncia as suas actividades
ilícitas e vergonhosas. Actividades que vão contra acordos internacionais de
boa convivência, até contra os seus aliados.
Esse desavergonhado manda
sequestrar o avião do presidente da república dum país soberano (Bolívia) e os
seus lacaios europeus obedecem, com uma submissão nojenta.
Onde está a soberania nacional
desses países? Acho que colónias seria o termo mais indicado. Afinal a grandiosa
União Europeia não passa dum vassalo sem honra, nem dignidade, da súcia ianque.
Essa criminosa organização
gigantesca, que dá pela sigla de EUA (ou USA) cresce em poderio global e todo
mundo se acobarda. Será que a propalada globalização não passará dum império
mundial, uni nacional, por cobardia abjecta das nações europeias, em nome da
preservação duma paz podre e conseguida a troco da escravidão económica?
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quarta-feira, 19 de junho de 2013
LD
“L. D.” é de Lawrence Durrel.
Não tem mistério nenhum.
Bons os tempos em que eu
espatifava o meu salário todo em leituras e músicas. Enchia as prateleiras de
casa com livros e LPs, que depois passaram a ser CDs.
Leitor lento que sou, não
conseguia devorar tudo que comprava numa vertigem acumuladora. “É para ler
quando me aposentar” respondia quando me interrogavam se lia tudo aquilo.
Na verdade era uma acumulo
disparatado. Sempre tive um impulso doentio para guardar papeis. Sem mais
espaço nos móveis, por fim empilhava os livros no chão mesmo, subindo pelos
cantos.
Cheguei a separar o acumulado
por temas e estilos, distribuindo depois por amigos e familiares que sabia
apreciarem este ou aquele género. Só assim conseguiria espaço para continuar a
estouvada aquisição bibliotecária.
E de que serviu tal febre? De
nada! Absolutamente nada! A não ser para me esvair a carteira e viver
continuamente sem chavo. Nunca consegui fazer economias por causa desse vício
estúpido.
“Salve-se Quem Puder” veio num
grupo eclético, como muitos outros títulos. Eram contos - meu modelo favorito,
pois esses eu tinha mais garantias de conseguir chegar ao fim. Em geral eu
abandono a leitura a meio da obra, sem me preocupar muito com o desenlace da
mesma. O que me fascina é a palavra e o uso que o escritor faz dela. As
histórias eu mesmo as posso inventar a meu jeito e bel prazer.
Tenho uma memória mais emocional
que factual. Lembro com facilidade as emoções relacionadas com os eventos. Já o
mesmo não posso dizer dos pormenores dos factos. Assim não me lembro bem dos
conteúdos e tema dos contos desse volume. Tão pouco lembro se li todos. Apenas recordo
que aquilo que li se desenrolava algures no norte de África. Mas não esqueço as
gargalhadas, as deliciosas gargalhadas. Ah, como eu ri com puro gosto! A
hilaridade era de tal ordem que eu tinha de parar a leitura para me recompor do
riso e aprimorar os olhos (limpando-os das lágrimas), de modo a retornar ao
mergulho nas letras e na narrativa.
domingo, 9 de junho de 2013
SOU EU
“Uma imagem vale mil palavras.”
A imagem da vida por estas
coordenadas. Até uma simples campainha de porta tem de estar protegida por uma
grade, trancada a cadeado. C’est la vie à Brasil!
O que será mais precioso? Será
que ainda resta algum reconhecimento de valores? Muitas questões e poucas
respostas.
É isso! Este meu texto também se
poderia chamar: Respostas. Tal como nas situações mais banais, as grandes
questões da vida recebem o mesmo tipo de respostas: inapropriadas e
inconclusivas.
- Quem é?
- Sou eu!
É a resposta mais comum quando
alguém toca à campainha da porta e lá dentro de casa, alguém tenta certificar-se
sobre a identidade da pessoa que pretende adentrar. Mas claro que é um “eu”.
Todos somos um “EU”, cada um de nós. Só que o que se pretende saber é o nome –
A IDENTIDADE – desse “eu”. Será assim tão difícil de entender?
Não faz muita diferença das
respostas demagógicas que os políticos dão para tentar empurrar, com a barriga,
as péssimas condições de existência dos cidadãos. Só que a mesma dormência
letárgica que o povo apresenta perante esse discurso falacioso, é a mesma que
leva alguém a responder “sou eu” quando o que o outro pretende saber é em que
se define esse eu.
“Ah! Não tem nada a ver!” me
dirão. Porque não é a mesma coisa.
Eu lhes mostro como é a mesma
coisa: enfiem dois dedos num certo orifício anatómico ao fundo das costas e
depois, de os deixarem lá algum tempo, retirem-nos e cheirem um de cada vez.
Cheiram o mesmo né? Ora aí está como é o mesmo!
O mesmo é a indiferença. O mesmo
é a apatia. O mesmo é seguir na mesma rotina maquinal e acéfala, sem se dar
conta que o dito “eu” vai perdendo sentido e passando a ser uma circunstância
amorfa caminhando por uma existência sem propósito. Sim, talvez seja por isso
que esse “eu” não tenha necessidade de ter um nome, pois em nada se
diferenciará dos milhões de “eus” que se resignam a um estar-sem-ser, num mundo
idealizado para apenas alguns “serem”.
Então porque prover e garantir segurança a não-eus? Deverá
ser essa a macabra filosofia com que se justificarão os governos e os
criminosos, para a ausência de valores e de ética.
- Quem é?
- Sou eu!
- Aqui também sou eu! Eu quero
saber é o nome desse EU aí!!! Será muito difícil dizeres a porra do teu nome???
Ou preferes mesmo ficar aí, secando à porta?
segunda-feira, 3 de junho de 2013
HOMENS PARA A ESQUERDA, MULHERES PARA A DIREITA
Entrámos no grande salão e fomos instruídos a
dividirmo-nos em dois grupos: homens e mulheres. Uns se sentariam nos bancos
corridos de um lado e as outras do outro lado oposto. Frente a frente.
As
expressões de estranheza e incompreensão logo se estamparam nos rostos
incrédulos. Como crianças perdidas num bosque sombrio. A confusão se instalou
naquelas mentes condicionadas por uma rotina entorpecente.
O
povo não está habituado a sair dos seus padrões seculares, assim perdendo a
capacidade de pensar, decidir e se adaptar.
Os dogmas entorpecem as mentes e levam-nas a uma
estagnação embrutecedora. Servem para imobilizar o povo e dominá-lo, através da
eliminação da capacidade individual de discernimento.
Para
as mentes arregimentadas pelo carneirismo do rebanho é duma estranheza imensa
uma simples proposta que fuja aos cânones useiros e vezeiros da sua rotina
atrofiada e castradora do livre arbítrio. Um simples "vamos fazer
diferente" é motivo para grandes suspeitas e receios. Nervosamente todo o
grupo olha em volta procurando um sinal que as traga de volta ao redil.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
UNION
De várias partes se forma um
todo.
Chama-se “Union” (União) e muito
justamente, pois é uma reunião debaixo da liderança dum produtor que eleva a
sua vontade acima de tudo e todos, manipulando o resultado final dum trabalho
que parece colectivo, mas não o é.
Porquê tantos músicos de estúdio
(20), quando estiveram presentes nas gravações TODOS os membros históricos da longa história dos Yes? A
resposta é simples; por que “Union” não é um disco dos Yes, mas um disco de
Jonathan Elias, que o produziu.
Com a editora querendo apenas um
disco duma banda, cujos músicos se encontravam em duas formações distintas da
mesma - com os vários componentes gravando por aqui e por ali e ainda com
projectos e compromissos de carreiras a solo - a tarefa não era fácil e
prestava-se à livre iniciativa dum produtor ambicioso esperando a oportunidade
para fazer grande.
Assim foi tomando forma o
projecto “Union”. O álbum que começou por ser gravado por Anderson, Bruford,
Wakeman and Howe no sul de França, acabou completamente reformulado a partir de
demos e uma lista enorme de músicos de recurso, em vários estúdios de gravação
de Nova Iorque e Los Angeles.
O resultado foi tão escandaloso
que o próprio Rick Wakeman ao ouvir o disco, depois de publicado, questionou:
“Onde estão as partes que eu toquei e gravei?” Enfim, algumas delas
simplesmente tinham sido preteridas em favor de fugazes aparições de teclistas
de estúdio, anulando assim o efeito filigrana que Wakeman e Howe produziam em
simultâneo e que tanto caracteriza as suas participações na banda. O que Elias
queria era um som mais duro e pesado, ao gosto do público americano. O requinte
melódico dos britânicos não servia os seus intentos comerciais.
Acontece o mesmo com as
execuções de Howe, num tema de sua co-autoria, em que o seu virtuosismo nas
guitarras foi ignorado e substituído pela execução de vários guitarristas de
estúdio com um som bem mais pesado e menos melodioso.
“Union” é um álbum quase
monumental e com excelentes momentos musicais, principalmente devido à grande
qualidade dos autores/compositores mas, por vezes, tem pouco a ver com a
sonoridade dos Yes. Um álbum musical a dois tempos, como se fosse a união (e na
verdade era) de dois discos distintos. Um produto híbrido.
Depois de muito procurar e ler,
consegui perceber porque, ao ouvir este disco, me sinto como atirado contra uma
parede, ao invés da sensação de jogado ao alto para planar nas alturas, tal
como quando oiço outros trabalhos da banda. Este é um muro de som áspero e
agressivo.
Com um grupo de músicos destes, quem necessita de músicos de estúdio?
domingo, 7 de abril de 2013
DIA DORMENTE (RAPAZES E CAVALOS)
Ele sentou-se no selim e deu
arranque no motor. Engatou a primeira e a moto disparou rua afora.
Vestia uma roupa vermelha e
azul, as cores da empresa de distribuição de bilhas de gás doméstico. A sua tez
era negra. Bem negra. Jovem, ainda não completara vinte anos. Semblante
cerrado, mas sereno.
Deixou atrás de si um enlevo de
juventude e sensualidade, como se o dia se justificasse pelos pequenos momentos
de fugaz beleza que nos é dado vislumbrar. Nos interstícios das pregas da
rotina. E com o perder de vista entre muros e paredes, ficou o vazio, o
silêncio da modorra estéril da existência num bairro de periferia.
O dia estava mole. Dormente.
Alongando-se na habitual pasmaceira contagiante. Tudo mergulhava numa quietude
que não era, pois o rumor abafado da cidade se afirmava omnipresente. Pesado.
Contínuo.
...
Da quietude irrompeu o tropel de
cascos galopando na rua de terra batida. A garotada adorava atiçar os cavalos e
vir à desfilada pela rua fora, aproveitando a pacatez do bairro. Passavam em
revoada, entre risos e gritos. Muitos gritos.
O olhar fogoso e desvairado das
pilecas aterrorizadas, denunciava como eram muito mal tratadas. Ficava evidente
no aspecto muito descurado; magros, feridos, pêlo baço e sujo. Dava dó ver,
como depois de tão maltratados, os animais continuavam obedecendo submissamente
aos caprichos da moçada em desatino.
Desde bem pequenos os moleques
se acostumavam a deambular trazendo na mão um raminho verde desfolhado, fino e
flexível, como se duma chibata se tratasse, para castigarem os animais.
Vergastavam o ar, fazendo sibilar o ar com evidente gáudio extasiado, de quem
acha que se faz homem. Para essa gente rude, homem é sinonimo de brutalidade.
Homem é ser macho e macho é ser bruto.
Mas para a molecada tudo era
uma animação desbragada, quase histérica. A algazarra ia e vinha. Rua abaixo,
rua acima.
...
Depois os rapazes foram embora. Foram
com as suas famílias. Mudaram de bairro. E com eles foram os cavalos, a
gritaria e as galopadas. Agora restam os rapazes das motos e bicicletas
entregando bilhas de gás e garrafões de água. E o Júnior...
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