quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

MOBILIDADE URBANA II



As cidades são tudo menos um ambiente humanamente saudável.

Viver segundo interesses economicistas não é saudável. Numa sociedade competitiva é fundamental chegar primeiro, seja onde e ao que for. Isso traz urgência para todos criando um modo febril de estar. Todos se esganam para ficar adiante dos demais. Assim a mobilidade urbana se torna caótica, pois cada um pensa apenas na sua vantagem. E isso multiplicado por milhares, quando não mesmo por milhões, torna-se um problema grave.

Descentralização, desmonopolização são dois vocábulos fundamentais na oferta de qualidade de vida.

O problema da mobilidade passa, entre muitos outros vectores, pelo modo de vida pendular desta sociedade produtora/consumista. Tudo seria mais facilitado com a liberalização e dispersão de horários, tanto de serviços como de comércio. A visão imperialista da estruturação vertical da sociedade e do seu modo de vida leva a uma centralização em função dos benefícios financeiros e não do bem-estar humano.

Com horários alargados do funcionamento empresarial e menores turnos laborais, recorrendo para isso a um aumento de número de funcionários – sem que isso representasse perda de salários para os mesmos – seria possível distribuir os utentes de transportes urbanos sem o doentio vai-vem pendular superlotado dos horários de ponta. Além de assim rentabilizar as próprias carreiras de transportes, algumas das quais só compensam financeiramente a sua existência nesse sufoco de afluências periódicas diárias, mas com grandes incómodos dos utentes que recebem um tratamento de mercadoria; transportados em condições indignas e de risco físico.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

MOBILIDADE URBANA I




Mobilidade urbana é o grande tema da actualidade, num mundo cada vez mais citadino e menos rural. A elevada concentração populacional cria enormes problemas na vida das cidades, muitas das vezes pela falta de políticas correctas e corajosas de organização e gestão dos espaços, dos modos de vida e locomoção. A situação é ainda mais grave quando os órgãos de poder e decisão se encontram manietados por grandes interesses corporativos e financeiros.

A coragem de organizar o espaço público em função dos interesses gerais, acima dos benefícios particulares, é algo temerário e impensável para os políticos de hoje. Afinal quem controla e dirige os destinos da política e das nações nos nossos dias são os grandes interesses corporativos e económicos.

A definição do espaço urbano em função do ser humano é imprescindível para o conceito de cidade saudável. As cidades actuais herdaram centros arcaicos inapropriados para os modos de vida de hoje e continuam caindo em erros de urbanismo, muitas vezes ditados por interesses empresariais e corporativos. 

Os espaços urbanos não podem ser zonas estanques divididas em áreas de interesses e conveniências económicas particulares. Todo o cidadão tem de ter no seu raio de acção todo o tipo de recursos que necessite para a vivência do seu quotidiano. Ele tem de ter acesso pelos seus próprios meios físicos naturais a partir da sua residência, a tudo o que necessita para viver; educação, lazer, trabalho, saúde, provimentos (comércio e serviços).

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

PORTUGAL E MODERNIDADE



Numa Europa feudal, Portugal inventa-se como a primeira nação europeia com identidade cultural e nacional próprias, e fronteiras definidas. Sim, Portugal é o país da Europa com fronteiras definidas à mais tempo. Eu diria até, a nação europeia mais antiga.

Pela mão firme e engenhosa do jovem conde D. Afonso Henriques (D. Afonso I de Portugal) é estabelecido um novo reino em que se antevê já uma modernidade administrativa conducente ao fim do feudalismo. D. Afonso não aceita submeter-se à tradição de vassalagem sobre a qual era construído o feudalismo e no seu levantamento contra o rei de Leão e Castela é apoiado pela burguesia do Condado Portucalense, futuro Reino de Portugal.

A burguesia portuguesa acompanha D. Afonso Henriques na sua confrontação ao sistema feudal vigente, permanecendo ao seu lado nas suas pretensões de centralização do poder territorial nas mãos do rei. Assim, desde o seu início e ao longo da história portuguesa, o envolvimento da burguesia revela-se determinante na delineação dos rumos do país.
Numa Europa rural (pois o feudalismo assenta nos direitos da posse da terra) Portugal afirma-se como uma emergente potencia mercantil, o que induz à sua vocação de expansionismo ultramarino.

A burguesia apresenta-se ao lado de D. Afonso Henriques, apoiando-o nas disputas que este manteve com os seus vizinhos e rivais na consolidação da independência nacional. A burguesia esteve ao lado do Mestre de Avis no levantamento pela autonomia portuguesa contra os interesses castelhanos. A burguesia acompanhou o projecto de expansão mercantil além-mar e, de novo, se levantou contra os interesses de Espanha, quando D. João de Bragança liderou a Restauração. Também foi a burguesia que fortaleceu o movimento constitucionalista, que de novo poria Portugal entre as nações da modernidade.

Foi junto da burguesia que o visionário e modernista Marquês de Pombal encontrou apoio e terreno fértil para as suas ideias e medidas de modernização económica, duma nação decadente e estagnada num comodismo confrangedor.

A despeito da arrogância da inapta fidalguia portuguesa, a burguesia lusa sempre esteve envolvida nos avanços significativos da nação, rebocando o país para uma modernidade contemporizadora.

sábado, 15 de dezembro de 2012

CONSTITUIÇÃO E REALIDADE



Mais uma vez um massacre de inocentes ocorreu nos civilizadíssimos EUA. Mais uma vez, por lá, vozes se levantam, a medo, pedindo um sério e livre debate sobre o direito de porte de armas. A medo porque a sacrossanta Constituição assegura o direito inabalável de todo e qualquer cidadão ser portador de arma de fogo para sua própria protecção. E todos receiam ser considerados traidores se questionarem disposições regulamentadas noutra era, noutros enquadramentos sociais, estratégicos e históricos.

Todos consideram as Constituições nacionais instrumentos sagrados de regulamentação, mas convém não esquecer que não deixam de ser documentos estáticos, parados no tempo, se não forem contemporizados e frequentemente reavaliados perante a realidade do momento. As sociedades são elementos evolutivos que progridem em novos ideais e modelos, pelo que os regulamentos que as ordenam devem ser continuamente actualizados.

Todos sabemos que há sempre quem espreite uma oportunidade de tirar vantagem na tentativa de usurpar poder. Mas não pode ser por isso que se deixará de fazer as devidas avaliações e alterações no que perdeu enquadramento e se desarticulou da realidade. Afinal uma Constituição não deixa de ser um instrumento oportuno, ditado por uma elite que em determinado momento assumiu poder e liderança.

Nada é sagrado, no mundo dos humanos. Inteligência implica observação e julgamento.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

CHAMINÉS



Foi com alguma estranheza que a dada altura, da minha estadia aqui no Recife, comecei a perceber que as casas não tinham chaminé. Primeiro comecei por notar essa ausência dentro das casas, o que me levou a olhar para os telhados em busca delas. Por aqui chaminés só as de estruturas industriais.

As cozinhas não têm chaminé, nem nenhum sistema de extracção de fumos. Muitas vezes o fogão até fica afastado de qualquer janela ou ponto de ventilação. Isto num clima tropical com uma temperatura média de 29 todo o ano.

Uma justificação (não académica) que ouvi foi que já não haviam mais fogões de lenha dentro das casas. Mas mesmo nas construções antigas não vejo chaminés ou qualquer outro dispositivo semelhante. Além de que a chaminé não serve apenas para extracção de fumos e odores, mas sim para ventilação (climatização). Tal dispositivo  ajudaria a regular a temperatura interior das casas ao possibilitar o arejamento das mesmas deixando o ar quente escapulir-se, pois este tem sempre tendência a subir. Acredito ser um dispositivo muito conveniente em regiões com um clima tropical, onde as temperaturas são elevadas durante todo o ano.

Não precisariam ser tão elaboradas, em rica decoração, como as chaminés algarvias (um exemplo na foto acima). Acredito que as chaminés trariam um charme utilitário às habitações recifenses. Mas, se alguém me quiser explicar o motivo real porque não são usadas chaminés nas casas recifenses, eu agradeço.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

AZEITE SPRAY

Podem achar anedótico, mas não é anedota. Podem achar que é esquisitice minha, mas não é. Poderão os não lusos entender que não é caso para tanto, mas acredito que muitos dos meus amigos portugueses, e aqueles que mesmo não o sendo já viveram em Portugal e conhecem os hábitos gastronómicos portugueses, entenderão a minha estupefacção, senão mesmo indignação.

Outro dia, num restaurante aqui no Recife, pedi azeite, para poder regar condignamente os legumes cozidos e a salada. Com espanto meu apresentaram-me uma garrafinha de spray de azeite. Não sabia se havia de rir ou gritar por socorro: “Levem-me para a minha terra!” Procurei entre os outros frascos de molhos e temperos, mas só encontrei outros dois iguais: azeite spray.

De acordo que o azeite não é um artigo de produção local, pelo que não faz parte dos costumes e gastronomia nordestina, ou mesmo brasileira, além de que por ter de ser importado é muito caro, mas daí a ter que borrifar a minha salada com uns aspergidos de azeite... Poupem-me!



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

BANDEIRAS DO BRASIL


Ao longo da sua história, desde colónia até nação independente foram várias as bandeiras que o Brasil conheceu como símbolo da sua unidade territorial e política.

A listagem que a seguir se descreve é baseada nas bandeiras reconhecidas oficialmente e honradas pelo Exército Brasileiro, como se pode verificar na foto acima. Foi após uma visita ao Forte do Brum, no Recife, que me ocorreu a ideia para esta mostragem, ao ver as 13 bandeiras lá expostas em lugar de honra no salão nobre.

A primeira bandeira que o Brasil conheceu arvorada em solo, foi a da Ordem de Cristo, patrocinadora das navegações portuguesas à época. As naus da frota de Pedro Álvares Cabral, tal como todas as naus portuguesas, ostentavam  nas suas velas a cruz símbolo da rica e poderosa ordem.

A primeira bandeira oficial do Brasil foi a utilizada por D. Manuel I, que sobrepunha à cruz da Ordem de Cristo o Brasão de Aramas de Portugal. Esta bandeira esteve presente em todos os eventos principais da expansão do novo território e do estabelecimento do Governo Geral da Bahia, embora o estandarte da Ordem de Cristo continuasse a ser relevante nos cerimoniais e missões de exploração e colonização.
Na crise da sucessão, criada pela morte prematura de D. Sebastião, foi adoptada nova bandeira para Portugal, que foi respeitada por algum tempo pelos reis espanhóis, que vieram a tomar o poder da coroa portuguesa.
Com a subida ao trono de D. Filipe I, o Brasil conhece nova bandeira. Atribuída pela Dinastia Filipina às possessões portuguesas além-mar, esta bandeira vigorou de 1616 a 1640. Devido à incúria dos reis espanhóis com os interesses e territórios portugueses, foi sob esta bandeira que o Brasil assistiu às invasões holandesas no nordeste, mas também à continuação da expansão bandeirante.
Em 1640 o Duque D. João de Bragança, lidera a revolta contra a Dinastia Filipina e restaura a independência de Portugal perante a coroa espanhola. É aclamado rei e sobe ao trono como D. João IV, tendo escolhido uma nova bandeira para si. Esta era conhecida como a Bandeira da Restauração. A borda azul é alusiva à consagração da Senhora da Conceição como padroeira e soberana de Portugal.
Em 1645 o rei, D. João IV cria o título de Príncipe do Brasil, para o seu filho herdeiro D. Teodósio. Criou-se também a bandeira para o Principado do Brasil, que foi assim a primeira bandeira atribuída exclusivamente à designação politica e territorial brasileira. Esta bandeira vigorou até 1816, simultaneamente com as outras bandeiras régias nacionais que a ela se sobrepunham em representatividade de soberania.



Com a subida ao trono de D. Pedro II em 1683, o Brasil conhece mais uma bandeira. O Estandarte Real de D. Pedro II, foi a primeira bandeira de fundo verde a ondular sobre o território brasileiro. Foi ela que presidiu ao auge das expedições bandeirantes.
Ao longo do século XVII e início do XVIII foi também usada a bandeira real, junto com a do principado e outros estandartes reais. Tal deve-se a uma herança feudal absolutista de associar os símbolos da nação ao monarca reinante, pelo que não havia a definição de uma bandeira única para as nações. O símbolo da nação era o seu brasão de armas que fazia parte de todas as bandeiras, estandartes ou jaques.
Com a vinda da corte para o Brasil é estabelecido o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, tendo sido consagrada bandeira em 1816. Nela o Reino do Brasil é representado pela esfera armilar em fundo azul.
Depois da guerra civil portuguesa e com a instauração do regime constitucional, Portugal conhece outra bandeira, que viria a ser bandeira nacional até ao fim do regime monárquico. Esta bandeira teve curto período de permanência nos céus do Brasil, pois logo D. Pedro declara a independência.



 Com a independência declarada por D. Pedro I, é adoptada a Bandeira do Império, onde aparecem símbolos e cores comuns aos estandartes reais dos Braganças.
Após a instauração da república, a 15 de Novembro de 1889, o Brasil conheceu uma bandeira provisória por 4 dias, inspirada na bandeira dos Estados Unidos da América do Norte.
Com decreto de 19 de Novembro de 1889, foi instituída a Bandeira da República Federativa do Brasil, baseada na Bandeira do Império.