O Santa Maria Manuela e o seu gémeo Creoula são a memória remanescente das épicas campanhas da pesca do bacalhau nos mares da Terra Nova. O bacalhau agora é importado dos mares da Noruega.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
BASKET OF DEPLORABLES
É necessário repensar a democracia. Nos moldes
actuais ela apenas serve o populismo oportunista, sem compromisso nenhum com os
destinos das respectivas nações, motivado por projectos pessoais, mais ou menos
partidários, de conquista e preservação no poder. O avanço do populismo advém
da falta de informação, formação e educação das populações que são convidadas e
algumas vezes forçadas (voto obrigatório) a ir votar.
O fenómeno Trump não é isolado, nem é tão
imprevisto e surpreendente como por aí se pretende fazer crer. A própria
imprensa que tanto se espanta com os “casos Trump” é ela mesma cúmplice de tais
fenómenos ao promover uma informação sensacionalista, mais interessada no
aumento dos índices de audiência que na prestação duma verdadeira e profícua
informação; o que conta é o espectáculo da notícia e não o mérito e interesse
da informação propagada.
A política deixou de ser um campo de debate de
ideias e ideologias para se tornar uma arena onde se digladiam campanhas de
propaganda na mais feroz competitividade dum marketing sem escrúpulos. Nas
presentes campanhas eleitorais, amiúde por toda a parte, não se debate nenhum
projecto político, apenas se esgrimam ataques e ofensas mais ou menos pessoais.
As ideologias estão démodé e desactualizadas porque desfasadas da realidade
social e civilizacional vigente. Não que novas ideologias sejam necessárias,
mas o que urge são princípios fundamentais que se apliquem a uma justa administração
e gestão dos reais interesses das sociedades e nações.
Nota: a imagem foi recolhida na internet através do Google
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sábado, 5 de novembro de 2016
LUCRO E NÃO-JUSTIÇA
Como diz a sua própria propaganda a Samarco
fez e de que maneira... E continua fazendo e preparando as condições para mais
outra catástrofe como a que ocorreu há um ano. E outra e outra... Um ano depois e as vítimas da incúria criminosa esperam justiça. Cerca de 50
multas, num valor aproximado de 300 milhões, já lhe foram aplicadas e nenhuma
pagou e nem irá pagar pois de todas recorreu e continuará a recorrer. Assim
funciona uma justiça feita pelos ricos e poderosos para se protegerem e
livrarem de pagar pelos seus crimes.
Nota: imagens recolhidas da internet através do Google
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
7%
7% da população carcerária do Brasil está
detida por furto. Entretanto quem rouba milhões e comete grandes crimes anda
solto.
Roubas uma galinha para matar a fome e vais
comer e dormir com patifes e criminosos de toda a espécie, mas se desviares
milhões do erário público e com o lucro do desvio pagares fianças e recursos,
ficas em liberdade. É mais que tempo de se dar fim a este sistema viciado e
decrépito se se quiser construir uma sociedade justa e de direito.
O sistema carcerário brasileiro está
superlotado e em permanente caos administrativo e disciplinar.
Nota: imagens recolhidas da internet através do Google
Nota: imagens recolhidas da internet através do Google
sábado, 29 de outubro de 2016
AURICA
Segundo os cientistas João Duarte, Filipe
Rosas e Wouter Schellart (dois portugueses e um australiano), daqui por 300
milhões de anos a Terra voltará a ter um único super-continente: Aurica. Uma
teoria inspirada na observação do comportamento das zonas de subducção e
baseada em evidências de história geológica, cálculos matemáticos e modelos
computacionais. Com o deslocamento das placas tectónicas os oceanos Pacífico e
Atlântico fechar-se-ão, a Eurásia dividir-se-á em duas: uma parte rumando a
este e a outra rumando a oeste. A Austrália juntar-se-á com a América (daí o nome
Aurica).
Nem quero imaginar como será o clima nessa
altura.
Nota: imagens recolhidas da internet através do Google
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
STATUS QUO
O
estatuto do índio no Brasil em nada mudou durante toda a história brasileira;
continuam párias na sua própria terra.
Nota: imagem recolhida na internet através o Google.
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
USA-TRUMP
domingo, 23 de outubro de 2016
ENGRENAGEM
Fomos absorvidos pelo grande sistema-económico, que a todos devora e trucida desde a mais tenra idade. A auto-expressão é negada. O que se vê por aí são comportamentos de macaco-de-imitação a que se convencionou chamar de moda, ou mais elitistamente de “fashion”. Contribuindo esses comportamentos padronizados para aumentar os índices de produção/consumo e dando prosseguimento à alienação continuada das gentes que se iludem achando ser felicidade o que não passa dum mero prazer supérfluo e momentâneo.
Nota: Imagens recolhidas na internet com o Google
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quarta-feira, 12 de outubro de 2016
ESTUPOR
Dois mundos, duas eras em confronto. A
supremacia da insanidade. A primeira grande guerra mundial foi a desbragada
orgia da perversão destrutiva. Num mesmo conflito aviões e sabres. Um velho
mundo sucumbindo perante a arrogância duma florescente tecnologia da matança. O
colapso de velhas estratégias que não tinham soluções perante os desafios da
modernidade. A chacina foi hedionda e tão vergonhosa que todos se apressaram a
escondê-la por trás dos horrores da subsequente segunda grande guerra. Nenhuma
delas deveria ter sucedido. Se a segunda teve o infame holocausto e as obscenas
duas bombas atómicas a primeira não se ficou atrás na barbárie e funesto nojo.
A guerra da carnificina.
Imagem: Avião sobrevoando elementos da
cavalaria francesa durante a Primeira Guerra Mundial, 1916.
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domingo, 9 de outubro de 2016
MATTHEW
877 mortos no Haiti. 11 mortos nos EUA. A
diferença no número de vítimas não é mero capricho da natureza. A Natureza não
tem preferências subjectivas. Os números apenas diferem devido aos modos de
governar e administrar os territórios, assim como o zelo com as suas
populações. Infra-estrutura, responsabilidade social e governação empenhada no
bem de todos; é o que falta no infeliz país das Caraíbas.
O Haiti tem sido martirizado por todo tipo de
flagelos, tanto os naturais como os provocados pela incúria e corrupção dos
seus governantes. Basta olhar para o tipo de destroços, ruínas e estruturas
preservadas para se perceber as diferenças e as razões da disparidade de
vítimas e estragos. Mas o mundo ainda não cresceu o suficiente para perceber
que a solidariedade é mais eficaz antes que depois dos flagelos. Cada um cuida
de si e os pobres... esses logo se verá quando formos brincar às
caridadezinhas.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
NA ONU
António Guterres como
rosto da ONU dá uma esperança de humanismo e solidariedade para as relações
mundiais nos tempos vindouros. Não que os seus antecessores não fossem pessoas
de boa índole e conciliadoras, mas o diplomata português tem um CV honroso no
seu incansável trabalho de apoio aos refugiados, cada vez mais numerosos, que
correm desesperadamente dos conflitos e da miséria.
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
NUVEM DE VAPOR
O mundo contemporâneo chegou de enxurrada numa
grande nuvem de vapor. A revolução industrial. Uma catadupa de descobertas e
avanços tecnológicos passaram a fazer parte do nosso quotidiano e agora também
a electrónica e a informática são banais na nossa rotina diária em todas as
nossas actividades. A ciência evoluiu admiravelmente. E a humanidade? Mais de
380 milhões de crianças vivem abaixo do nível de pobreza.
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
NÃO PAZ
O povo votou e mais uma vez o populismo e os interesses de alguns se sobrepuseram à paz e harmonia. A vontade do povo pode ser soberana, mas saberá o povo pelo que vota sempre que vota?
Mais uma vez impõe-se a necessidade de reflectir e debater sobre a democracia e a necessidade de criar um sistema mais justo de decisão.
domingo, 2 de outubro de 2016
PINK BANDEIRANTES
Alguns energúmenos pixaram o monumento aos
bandeirantes em São Paulo e agora outros imbecis exaltam o gesto.
sábado, 1 de outubro de 2016
GANHARÁS O PÃO
O peso da religião ainda
é imenso nas nossas sociedades modernas. Até porque convém para o sistema
económico que ela tanto apoia com o seu “ganharás o pão com o suor do rosto”. Através
desse ditame imperioso o cristianismo sempre justificou todo o tipo de abusos
predatórios e esclavagistas.
Não somos máquinas – ao invés do delírio romântico
apregoado na febre da revolução industrial -
somos até providos de alma. Esse ideário de propósitos esclavagistas
assenta maravilhosamente aos interesses inescrupulosos da dominante classe
empresarial, ilibando de culpa a imposição dum modo de existência que não nos
provê verdadeiro bem-estar ou felicidade. Se alguns de nós conseguem uma
abastança material que lhes proporcione conforto, mesmo esses logo percebem que
só isso não basta. Uma alma sã não se compraz numa bem-aventurança moldada na amargura e sofrimento, sejam
próprios ou alheios.
Agostinho da Silva
afirmava ser anti-natura a condição de agente de produção do ser humano. Não
nascemos para trabalhar mas sim para criar e para isso necessitamos de nos
dedicar à ociosidade. Desse modo ele profetizava a sociedade do ócio, como o
destino da humanidade, vendo nos avanços
tecnológicos e na robótica a possibilidade de concretização desse ideal. O Homo
Divinus como entidade de vocação contemplativa e espiritual.
Imagem: "Angelus", Jean-François Millet
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sexta-feira, 30 de setembro de 2016
FLASHES DE ELEIÇÕES NUM PAÍS EM GUERRA?
Flashes de eleições num pais em guerra?
O reino do caos. Atentados à bomba ou a tiro,
contra candidatos eleitorais. Políticos em campanha mortos à bala em surtidas
criminosas. Dir-se-ia um pais em guerra. Talvez seja uma nação em guerra
consigo própria, com o seu descaso, com o seu comodismo, com a sua indiferença.
Pobre povo tolhido nos seus vícios e hábitos descuidados.
No meio da confusão o anúncio da descoberta de
doações milionárias a partidos e políticos para as suas campanhas, por parte de
desempregados e beneficiários de bolsa família (exactamente os mais pobres e
desabonados da sociedade. Alguém está a querer enganar alguém... Ninguém
acredita que eles tenham doado tais verbas, mas que malfeitores tenham usado os
seus nomes e registos para encobrir doações ilegais.
Assim prossegue o gigante aos tombos e
tropeções, na busca dum futuro e dum mundo melhor.
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segunda-feira, 26 de setembro de 2016
UM EM TRÊS
Um em cada três brasileiros responsabiliza as
vítimas pelos estupros que sofreram. “Por não se vestirem decentemente”, “por
serem provocadoras”, “por não se comportarem e darem ao respeito”,...
Sintomático da mentalidade tacanha e machista que imprime a cultura social
brasileira ainda em pleno século XXI. Não vamos escamotear tentando argumentar
que isso é uma opinião de homens, pois a percentagem de mulheres que também
assim pensa é do mesmo modo elevadíssima. É uma questão de educação; aquela que
é transmitida pela família, logo pelas próprias mães também, que foram criadas
numa cultura machista e, não só aceitam, como reverberam na sua descendência
essa tradição perversa e anti-natura. Como país obcecadamente religioso, o povo
não faz muito mais que repetir os padrões e conceitos que a religião sempre
lhes impôs: sujeição da mulher, estigmatização da mulher, demonização da
mulher,...
sábado, 24 de setembro de 2016
CAI, NÃO FICA NADA
Mandado de prisão para Guido Mantega.
“Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros, cai
o rei de paus, cai não fica nada” são os versos que me ocorrem com todo este
suceder de denúncias e acusações. Cai o Dirceu, cai a Dilma, cai o Lula, cai o
Mantega e o PT estrebucha para não cair também. A nação atónita assiste ao
desfile de revelações como a uma parada surreal de vis trapaceiros. A pandilha
estava toda unida no estratagema. Um novelo sem fim e a cada nó desatado mais
uma revoada deles caindo na rede. É chocante. Escandaloso. Mas parece que algum
povo não se importa muito com isso, pois continua a louvar e santificar essa
corja populista e criminosamente demagoga.
Ingenuidade não chega ao ponto de acreditar que governantes ávidos de poder
e controladores não soubessem do que se passava ao seu redor sobre estratagemas
dos quais eram beneficiários directos. Essa do “não sabia de nada”, “não
encontrarão nada em meu nome” só ilude trouxas que gostam de passar por
idiotas.
Cá por mim continuo com a canção do Ivan Lins:
“Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros, cai o rei de paus, cai não fica
nada...”
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sexta-feira, 23 de setembro de 2016
DESUMANIZAR
Quando me dizem que a Bayer comprou a Monsanto
por 66 mil milhões de USD eu sinto-me indignado com esta industrialização da
humanidade. No princípio da revolução industrial, em pleno século XIX, até era
engraçado andar em carruagens puxadas por locomotivas a vapor, com as
maquinarias facilitando a vida das pessoas, tanto nas deslocações a grandes
distâncias como nos modos de produção de bens. Mas agora estamos em plena
industrialização da própria humanidade, em que as pessoas são vistas como parte
funcional do grande esquema industrial de produção e consumo, com vista à
obtenção máxima de lucros para as grandes corporativas e seus
accionistas/proprietários. Somos todos peças da grande engrenagem
produtiva/consumista. Para trás ficou o propósito de evolução do indivíduo
guindando-se a planos mais elevados de consciência. Perante a premência da
progressão do sistema civilizacional/económico o indivíduo - o ser humano - foi
relegado para o plano de mera ferramenta cuja existência apenas é validada desde
que integrada nos planos do monstro corporativo.
Lembra-me o caso da vil postura do todo
poderoso presidente da Nestlé que afirma ser a água algo demasiado precioso
para estar disponível como um bem de direito universal, pelo que deveria ser
privatizada toda a água potável do planeta (claro que ele iria reclamar a
patente para a sua omnipotente multi-nacional), assim cada um teria que pagar
pelo seu usufruto. Isso sim, eu chamo de blasfémia. Isso sim, eu chamo de
encarnação do mal a quem advoga e tenta concretizar uma monstruosidade dessas.
Se a clássica escravatura foi abolida por decretos (embora não completamente na
prática), agora cria-se uma nova escravatura em que o indivíduo tem que se
sujeitar a todos os ditames predatórios dos grandes mandantes do empresariado e
da economia.
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
O LADRÃO DAS LÂMPADAS
Pode parecer caricato até, mas
de facto leva a crer que estamos perante um caso de furto especializado. Ele
vem de madrugada, salta os muros, driblando os cacos e farpas aguçadas que
tentam ser uma barreira ameaçadora, e uma a uma vai recolhendo dos casquilhos
todas as lâmpadas das garagens dos prédios da rua. No bairro já se tornou
famoso pela sua especialização, pois ao que consta não surripia mais nenhum
tipo de objectos, tão pouco tenta forçar os carros estacionados nas garagens. O
seu modus operandi já está tão rotinado que nem chega a verificar se alguns
portões estão mesmo trancados, ou se abririam tranquilamente sem forçar, pelo
que ele continua a saltar muros, fintando cães de guarda em alguns dos prédios,
com a mesma agilidade de quem guarda muito treino nos gestos e nos membros.
O que ele faz com as lâmpadas
surripiadas diligentemente, não sei. Certamente as venderá, pois lâmpadas
fluorescentes de baixo consumo são caras – pelo que os vizinhos do prédio ao
lado, já trataram de substituir todas pelas velhas lâmpadas incandescentes. O
que ele fará com o dinheiro da venda, não sei: pode ser para comprar droga, ou
para comprar remédios para a avó que está esclerosada (nem sei se a tem). Mas,
depois de constatar a sua acção ardilosa e alguns dos seus contornos
pitorescos, acabei por dedicar alguma simpatia ao ladrãozinho de bairro.
Afinal, embora eu tivesse receado em interpelá-lo, quando testemunhei a sua
faina em directo, pelos relatos posteriores acabei por criar um perfil mais humano
e justo, ao invés da rejeição rancorosa do primeiro impulso: ele fez-me lembrar
os românticos ladrões de Genet, no seu jeito contido e não desmedido. Num mundo
onde a roubalheira domina os mais altos cargos de influência e onde o crime violento
aniquila e condena a vida de tanta gente impotente e vulnerável, um pequeno
ladrão de lâmpadas torna-se quase uma figura aceitável.
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