sábado, 2 de maio de 2009

NOMES

Em certos países há uma lista oficial de nomes permitidos, segundo a tradição linguística nacional, e que é imposta a quem se apresenta perante a administração oficial para registar um recém-nascido. Alguns poderão entender que isto é uma limitação das liberdades individuais, uma vez que a escolha do nome fica restringida, não podendo os progenitores exercer o seu pleno direito de livre escolha. 

Mas será que a liberdade de uns poderá ir contra a dignidade de outros? Onde começa e termina o direito de cada um num sistema de liberdade? E será que qualquer nome é digno, independentemente do seu significado?

Ponho estas questões perante o facto, que tomei conhecimento, de três irmãs cujos progenitores lhes atribuíram os nomes próprios de Xerox uma, de Fotocópia a outra e de Autenticada a terceira. Sendo que a Xerox já foi mãe e chamou o seu filho de Carimbo. Não estou a ironizar.

Poderemos pôr em questão a dignidade de tais nomes? Será que a liberdade individual estará acima do direito de soberania dum Estado zelando pelos interesses daqueles que ainda não podem exprimir a sua opinião? Será que poderemos atribuir mais dignidade a uma Maria que a uma Autenticada?

Observando o caso em exemplo, parece que a Xerox assumiu a dignidade do seu nome e seguiu, o que parece assumir contornos de tradição familiar, dando o nome de Carimbo ao seu filho. Será que poderemos questionar o seu sentido de dignidade?

2 comentários:

Serginho Tavares disse...

Se carregaram esses nomes durante toda a vida e nunca em momento algum quiseram mudar, então assumiram de fato o que para muitos poderia parecer ridículo para essa familia não foi.

Maria disse...

Quando as palavras são ditas com liberdade e sem intenção de humilhar, oprimir ou simplesmente destruir a autoestima dos outros, que seja Xerox ou Nicolau acho que não é por aí que o futuro das crianças está em causa.