quinta-feira, 29 de abril de 2010

O EREMITA



Ele carrega as dores do mundo nas costas.

O seu percurso não tem rumo, é uma praia desembocando em qualquer costa do mundo. O seu sentir é profundo como o oceano. Paradeiro algum é seu. Ele não veio para conhecer descanso.

As chagas da vida são a força que o impele adiante. Cada lágrima de sangue é um tónico para seu coração pleno de amor. Ele não precisa de altar. O chão árido e salgado é o leito onde repousam os seus suspiros. Traz nas mãos a voz dum deus sem memoria.

Seu doce olhar é lâmina rasgando fundo as almas humanas. Trazendo luz onde só as trevas reinam. O seu tempo é amanhã. O seu destino é longe, bem longe.

3 comentários:

São disse...

Belo e profundo texto, muito bem ilustrado.

Saudades, muitas.

Serginho Tavares disse...

Ele sempre tem a palavra certa na hora certa

Amo te

Leandro disse...

Intenso, comovedor! Excelente.