terça-feira, 10 de abril de 2012

OUSADIA


Hoje, eu esperava que o semáforo mudasse, para poder atravessar a rua, num movimentadíssimo cruzamento do centro da cidade. Tinha os fones nos ouvidos e num volume de som razoavelmente elevado para poder superar os roncos do trânsito. Mas algo interferia com a música. Eram notas musicais que eu sabia não fazerem parte daquela partitura, por mim mais que conhecida. Ora se ouviam, ora se calavam. Olhei em volta e não vi o que pudesse causar tal interferência. Pensei ser do aparelho reprodutor de som; mas nada indicava que fosse avaria. Até que olhei para cima e um pequeno passarinho amarelo-esverdeado (da ponta do bico à ponta da cauda não teria sequer 8cm), empoleirado num fio de electricidade que cruzava sobre a estrada, piava como se estivesse em plena floresta.

3 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

caraca! é muito lindo tudo isto ...

Junnior disse...

Também achei lindo e paradoxal. Querido, tô sumido, né? Desculpas. ;)

São disse...

Lindissimo: a resistência é semre bela!

Abraço com saudadessss