segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

PORTUGAL E MODERNIDADE



Numa Europa feudal, Portugal inventa-se como a primeira nação europeia com identidade cultural e nacional próprias, e fronteiras definidas. Sim, Portugal é o país da Europa com fronteiras definidas à mais tempo. Eu diria até, a nação europeia mais antiga.

Pela mão firme e engenhosa do jovem conde D. Afonso Henriques (D. Afonso I de Portugal) é estabelecido um novo reino em que se antevê já uma modernidade administrativa conducente ao fim do feudalismo. D. Afonso não aceita submeter-se à tradição de vassalagem sobre a qual era construído o feudalismo e no seu levantamento contra o rei de Leão e Castela é apoiado pela burguesia do Condado Portucalense, futuro Reino de Portugal.

A burguesia portuguesa acompanha D. Afonso Henriques na sua confrontação ao sistema feudal vigente, permanecendo ao seu lado nas suas pretensões de centralização do poder territorial nas mãos do rei. Assim, desde o seu início e ao longo da história portuguesa, o envolvimento da burguesia revela-se determinante na delineação dos rumos do país.
Numa Europa rural (pois o feudalismo assenta nos direitos da posse da terra) Portugal afirma-se como uma emergente potencia mercantil, o que induz à sua vocação de expansionismo ultramarino.

A burguesia apresenta-se ao lado de D. Afonso Henriques, apoiando-o nas disputas que este manteve com os seus vizinhos e rivais na consolidação da independência nacional. A burguesia esteve ao lado do Mestre de Avis no levantamento pela autonomia portuguesa contra os interesses castelhanos. A burguesia acompanhou o projecto de expansão mercantil além-mar e, de novo, se levantou contra os interesses de Espanha, quando D. João de Bragança liderou a Restauração. Também foi a burguesia que fortaleceu o movimento constitucionalista, que de novo poria Portugal entre as nações da modernidade.

Foi junto da burguesia que o visionário e modernista Marquês de Pombal encontrou apoio e terreno fértil para as suas ideias e medidas de modernização económica, duma nação decadente e estagnada num comodismo confrangedor.

A despeito da arrogância da inapta fidalguia portuguesa, a burguesia lusa sempre esteve envolvida nos avanços significativos da nação, rebocando o país para uma modernidade contemporizadora.

3 comentários:

São disse...

Não me parece que a burguesia tenha assim tanta importância na primeira dinastia.

Até porque o sistema feudal continuou Afi«onso a praticá-lo.

E Nuno Álvares Pereira, não se sentindo(ainda!!)devidamente recompensado pelo Mestre de Avis, ameaçou ir prestar os seus serviços a outro senhor, isto é, ao rei de Castela!!

Só com a coroação de D. João I é que a burguesia começou a ter força.

Um abraço grande.

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Gostei deste banho de informação cultural ... obrigado

bjão

Hürrem disse...

Excelente post amigo ManDrag! Uma aula sobre parte da historia portuguesa! Um comentário a parte: Semana passada houve um festival de cinema promovido entre as Embaixadas do Brasil e de Portugal, numa cidade universitaria chamada Eskisehir (1 hora e meia de trem de Ancara, compareci a abertura do festival, que apresentou o filme "Jose e Pilar", documentário sobre parte da vida de José Saramago. Filme muito bom! Lembrei de ti meu amigo. Um abraço.