
Mãe e filho aproximaram-se do carro. Ela uma matrona já e ele um rapazinho duns 12 anos, franzino e alto. Conversavam descontraidamente, sorrindo com bonomia.
Ao chegarem junto da viatura a mãe dirigiu-se para a porta de trás e o garoto para a da frente, que dá acesso ao lugar ao lado do condutor, o pai. Este ao chegar destrancou as portas e todos assumiram os seus postos; o pai ao volante, ladeado pelo filho (macho) e a mãe (a fêmea) no lugar de trás.
Nos tempos da minha infância, tempos machistas e chauvinistas, o lugar da mãe, no veículo da família, era ao lado do pai; tivessem os filhos a idade que tivessem. Nunca passaria pela cabeça de uma família tradicional que a mãe cedesse a sua posição de matriarca ao primogénito (ou a qualquer um dos varões) pelo simples facto de este ser um macho dominante. A hierarquia familiar era indissolúvel no seu modo de estabelecer posições e responsabilidades. Eram tempos hoje criticados como arcaicos e bacocos.
Mas enfim, agora vivem-se outros tempos de emancipação feminina (impensáveis nos meus tempos de chauvinismo machista em que fui educado) e as mulheres são livres de afirmar a sua posição. Só que não entendo esta moda de as mulheres passarem o testemunho de machismo dominante aos seus rebentos. Quem espera por mudanças, quando os que deveriam educar nessas mudanças são quem dá os piores exemplos de tradicionalismo obsoleto?
Que respeito espera esta mãe do filho, quando lhe mostra a ele que ela mesma é-lhe inferior, ao ceder-lhe o lugar à cabeça da família que é dela por direito?
E este exemplo não é isolado, não! É o mais comum em todas as famílias modernas. Modernas?!
Enfim, é o mundo que temos!