domingo, 19 de setembro de 2010

PASSANDO O TESTEMUNHO

Mãe e filho aproximaram-se do carro. Ela uma matrona já e ele um rapazinho duns 12 anos, franzino e alto. Conversavam descontraidamente, sorrindo com bonomia.

Ao chegarem junto da viatura a mãe dirigiu-se para a porta de trás e o garoto para a da frente, que dá acesso ao lugar ao lado do condutor, o pai. Este ao chegar destrancou as portas e todos assumiram os seus postos; o pai ao volante, ladeado pelo filho (macho) e a mãe (a fêmea) no lugar de trás.

Nos tempos da minha infância, tempos machistas e chauvinistas, o lugar da mãe, no veículo da família, era ao lado do pai; tivessem os filhos a idade que tivessem. Nunca passaria pela cabeça de uma família tradicional que a mãe cedesse a sua posição de matriarca ao primogénito (ou a qualquer um dos varões) pelo simples facto de este ser um macho dominante. A hierarquia familiar era indissolúvel no seu modo de estabelecer posições e responsabilidades. Eram tempos hoje criticados como arcaicos e bacocos.

Mas enfim, agora vivem-se outros tempos de emancipação feminina (impensáveis nos meus tempos de chauvinismo machista em que fui educado) e as mulheres são livres de afirmar a sua posição. Só que não entendo esta moda de as mulheres passarem o testemunho de machismo dominante aos seus rebentos. Quem espera por mudanças, quando os que deveriam educar nessas mudanças são quem dá os piores exemplos de tradicionalismo obsoleto?

Que respeito espera esta mãe do filho, quando lhe mostra a ele que ela mesma é-lhe inferior, ao ceder-lhe o lugar à cabeça da família que é dela por direito?

E este exemplo não é isolado, não! É o mais comum em todas as famílias modernas. Modernas?!

Enfim, é o mundo que temos!

8 comentários:

Serginho Tavares disse...

O mais estranho é que as mulheres lutaram tanto por seus direitos e hoje em dia o que vemos é isso que você bem diz no post!
Mães que educam os seus filhos para serem machistas, mulheres cujo ideal de vida é apenas casar e o pior de tudo: mulheres que aceitam e até estimulam o parceiro em lhe sustentarem! Aceitam a total submissão!
Andamos pra trás!

Beijos meu amor! Mais um excelente post!

Beth/Lilás disse...

Tocou-me fundo esta reflexão, pois eu mesma já cedi várias vezes meu lugar ao filho na frente, mas diante de tão bem colocadas idéias, vou me reposicionar amanhã mesmo. E o detalhe é que meu próprio marido já tinha me falado isto antes.
Besta que eu sou!
abs carioca

Lobo Cinzento disse...

Engraçado, nunca tinha observado isso.

Na minha família isso não acontece não. Inclusive, tomo porrada se tentar sentar na frente ahauahauahau

Paulo Braccini disse...

pois então ... o mundo é o q é por estas pequenas coisas ... a modernidade não chegará tão cedo às mentes no q concerne a valores e conceitos de humanidade ...

bjux

;-)

Leika Horii disse...

Se eu tiver um filho, ele vai ser doutrinado, vai ajudar a lavar a louça e a limpar a casa junto com a irmãzinha dele.
bjos

Clarice disse...

Amigo, acabo de saber por que aqueles slides te deixaram tão emocionado. Lindíssimo. Que sensibilidade nas fotos e nas palavras! Obrigada e obrigada.

Meu irmão, terceiro na ordem de nascimento, aprendeu a dirigir com 11 anos, com nosso pai. Um dia nosso ciúme e inveja de irmãs mais velhas aflorou e pedimos a ele que nos ensinasse também. Qual o quê! Disse que preferiria ensinar a atirar com a espingarda;mataríamos menos gente. Encolhemos nosso desejo.
Por bem ou por mal, anos depois fui buscá-lo várias vezes para levá-lo ao médico, rodando pela BR-101,inclusive na sua viagem derradeira, ou para andar pelo interior em estradas de chão,a visitar parentes. Nunca ouvi dele uma correção, uma sugestão ou arrependimento por aceitar sentar ao meu lado(isso ele sabia: não se corrije mulher ao volante!). Minha mãe sentada atrás, junto com meu filho ainda adolescente. As concessões não poderiam ser tantas, afinal.
Como vê, a dinâmica da vida tem lá suas piadas.
Meu filho foi treinado para dividir responsabilidades. Minha nora não se cansa de se espantar com o preparo dele. Um dia escrevo no bloguinho sobre como treinar um homem desde o berço.
Beijos, vizinho do sol.

Hürrem disse...

ManDra otima reflexao a tua! Na minha familia isso nao acontece, mas achei otima a tua observaçao. As mulheres que sempre lutaram por emancipaçao, a meu ver, continuam tao machistas quanto antes, pois nao mudaram a essencia, continuam sendo as piores inimigas de outras mulheres, como no tempo que tinham que disputar o afeto do sultao em um harem, por exemplo. A competitividade feminina essa nunca acabou, continua arcaica como sempre. As mulheres querem sempre derrubar umas as outras, "roubar" namorados e maridos das outras, e por ai vai. Claro que meu comentario e generico, nem todas as mulheres sao assim, mas se parar para observar bem, veras que boa parte ainda conserva essas caractersiticas tao primitivas. Abraços

São disse...

Mas tu não sabes que a pior inimida da Mulher é ela própria, Amigo meu?! "té" sabes, que eu sei que sabes e sabes que eu sei que sabes rrss

Boa semana.