segunda-feira, 13 de setembro de 2010

ALFABETISMO

Analfabetismo funcional

As estatísticas que vemos nos órgãos de informação sobre alfabetização nos mais variados contextos não são de todo correctos, pois não basta somente ter frequentado uma escola e reconhecer as letras e números, assim como ler algumas palavras (ou mesmo um texto) e fazer contas, para se ser considerado alfabetizado. Quando órgãos oficiais de certos países publicam números referentes à alfabetização nos seus territórios, os mais de 90% indicados (baseados nas estatísticas de frequência escolar) não correspondem de modo nenhum à literacia dos seus cidadãos, pois a maioria desses 90% são analfabetos funcionais.

O analfabetismo funcional é muito mais comum do que as estatísticas de alfabetização indicam. Para se ser considerado alfabetizado o indivíduo tem de ser capaz de compreender um texto, assim como utilizar a leitura e a escrita em funções do quotidiano, além de saber fazer mais cálculos e operações matemáticas que simples contas de somar e diminuir. Não, não é necessário ser doutor ou engenheiro para ser considerado alfabetizado. É preciso saber LER e PENSAR.

Quantos daqueles que têm a escolaridade mínima e até mais que essa, sabem elaborar o texto duma simples redacção? Quantos sabem pegar no folheto informativo dum novo aparelho, ou electro-doméstico, que tenham adquirido e entender as instruções? Quando alguém (com escolaridade) pede a outro que lhe explique como funciona algo, quando ele próprio está na posse do folheto de instruções, é porque é um analfabeto funcional.

É por demais comum a presença de analfabetos funcionais nas empresas e em todo o mercado de trabalho (e não apenas nos escalões inferiores das hierarquias), o que diminui em muito o seu rendimento e desenvolvimento humano e profissional. Não é por ter frequentado uma escola que se fica mais habilitado. O aprendizado é um acto contínuo e que requer uma atenção permanente.

A dobragem (dublagem, br) de filmes (tanto na TV como nas salas de cinema), reportagens e programas televisivos de origem estrangeira é um incentivo ao analfabetismo funcional. A desabituação de ler cria desabituação de pensar e raciocinar. E não basta ler os títulos e algumas linhas de jornais e revistas de mundanidades. Ler implica pegar num livro, ou mesmo num texto que seja e entender tudo o que lá vem escrito e sugerido. Ler implica interpretar, analisar e explicar o que nos é apresentado.

Em termos de cultura e conhecimento o caminho não é o facilitar. É o instigar.

MAPA DE ALFABETIZAÇÃO
(clicar sobre a imagem para ampliar)

7 comentários:

Serginho Tavares disse...

É impressionante como hoje em dia é comum vermos nas instituições de ensino jovens que não conseguem entender pequenos textos ou fazer pequenas redações.
Hoje são avaliados pela letra X.
Nivelaram o ensino por baixo. Não conseguem ler porque não foram habituados para isto. O hábito da leitura deveria ser um exercício diário portanto ao crescerem não sabem fazer por não terem tido contato com isto.
Como bem dizes no texto, é preciso saber ler e pensar e é penoso que hoje em dia e a cada dia que passa o prazer do conhecimento tenha se tornado um prazer de poucos quando deveria ser de muitos!

Excelente texto meu amor. Mais uma vez muito importante, atual e necessário!
Beijos

Paulo Braccini disse...

isto é q dá esta política existencialista e populista calcada em bolsas ... [escola] ...

bjux

;-)

Lobo Cinzento disse...

Já peguei alunos no ultimo ano do ensino fundamental que não sabiam escrever...

Leika Horii disse...

Nunca havia pensado sobre os pequenos cálculos para ser considerado alfabetizado, e faz muito sentido!
bjos

Clarice disse...

São contraditórios meus sentimentos a respeito de ler, escrever, entender. Como não ficar emocionada ao ver o brilho nos olhos de quem via aqueles símbolos e jamais os entendeu? Reconhecer a dignidade de quem pode, finalmente, assinar seu nome, ser um cidadão que pode fazer escolhas?
Por outro lado, com o que está disponível e acessível para ler, fico na mesma dúvida que carrego sobre acessar informações ou não. Seria o ignorante mais feliz? O desdobramento dessa pergunta consome horas de minha cachola de pensamentos.
Uma frase daqueles elementos de uma tribo isolada, que visitaram os EUA tirou minhas certezas do lugar.

Deduziu o rapaz: Eles tem casas grandes, muitas roupas, muitas comida, porcos gordos, carros, máquinas. Agora só falta descobrirem como não morrer.

Isso parece não ter conexão com alfabetização e cultura, conhecimento e sabedoria,mas na raiz está objetivo de saber, conhecer, ter.
Voltei filósofa. hehehe!
Abração.

Mari disse...

Concordo, hoje o jovem lê menos. O capitalismo vende a ilusão de um mundo dinâmico e soluções rápidas.

Sentar, ler em um lugar calmo, pensar, refletir, não combina com a dinâmica. É lento demais...

Pena de quem não sabe o que é o prazer da leitura.

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

É... muitos aprenderam as letras e não passaram disso.

Pq o twitter faz mais sucesso que o blog? Pq limita tudo em 140 toques. Ou seja, a medida perfeita para muitos, que sequer conseguem passar dos 20 ao dizer algo.

A leitura hoje se resume a seis linhas. E o pensamento também. muitos formam sua cultura pessoal pelo pps recebido no e-mail, na fofoca da vizinha, no preconceito passado e repassado.
Apresente um texto mais complexo, não sai a menor análise do assunto.

eu sinto o mundo cada vez mais burro, apesar da maior democratização da informação.