terça-feira, 3 de julho de 2012
OS ANJINHOS
sábado, 24 de julho de 2010
MUSEU
Quando era jovem e andava no ensino secundário, a minha turma descobriu que havia uma verba anual no orçamento da escola estipulada exclusivamente para saídas em visitas de estudo. Rapidamente nos organizámos para projectarmos várias propostas de visitas de estudo a fábricas por todo o país que propusemos à aprovação dos respectivos organismos decisórios da escola. Cada um dos passeios tentava ser o mais longe possível e suficientemente afastado para só permitir o regresso no dia seguinte, permitindo-nos assim ficar uma noite fora de casa pernoitando em hotel pago pela escola. Era a euforia da juventude.
Como o nosso curso era de Química, todas as visitas visavam fábricas químicas, tendo nós o cuidado de escolher diferentes fábricas com diferentes metodologias e produtos finais, para que nenhum dos passeios nos fosse negado. E, por norma, eram todos aprovados, pois o fundo era abastado e os nossos projectos muito bem fundamentados, com grande interesse didáctico, para isso contávamos com a cumplicidade dos nossos professores de química e matérias da área. Quase todos os meses saíamos uma ou duas vezes em passeio. Até que o estatuto de turma mais viajada da escola chamou a atenção dos alunos dos outros cursos e turmas, que logo descobriram o golpe e o passaram a copiar. O dinheiro passou a ficar curto.
Mas, de todos os passeios que demos e de todas as visitas que fizemos, nenhuma incluiu a visita a um museu. Na ânsia de passear nem nos lembrávamos do fundo pedagógico das saídas, mas o certo é que professores e demais agentes de orientação pedagógica da escola também não rectificaram a situação; afinal num sistema de ensino especializado os nossos projectos de visitas eram quase perfeitos. Mas... e a formação geral do aluno? O seu enriquecimento cultural?
Felizmente que eu cresci no seio de uma família que respeitava o meu interesse por cultura. Presto aqui preito à minha Tia Doroteia, mulher que viveu e morreu analfabeta, mas que não sendo burra respeitava e incentivava esse meu gosto pelo conhecimento e me levava missionariamente aos fins-de-semana em passeio a museus e demais lugares com interesse cultural. A Tia Doroteia, na sua iliteracia, sabia bem da importância da cultura na formação do ser humano. Pena que os senhores e senhoras que decidem dos programas e sistemas de ensino não tenham essa mesma percepção e sentido do fundamental.
Escolaridade deixou de ser um modo de enriquecimento cultural para passar a ser uma corrida em busca dum certificado. A cultura geral das novas gerações resume-se a filmes estupidificantes e séries televisivas alienadoras, com muita futilidade pelo meio e uma completa ausência de valores sociais de cidadania e respeito ao próximo.
Foto: Museu d'Orsay, Paris. Uma antiga gare ferroviária convertida em museu de arte.
domingo, 14 de março de 2010
PROFESSOR E ALUNO

Um dia um adolescente, de 12 anos, suicida-se por causa de bullying. Outro dia um professor vai parar ao hospital, de onde sai de muletas, vítima de violência física de um aluno de 13 anos, que em plena aula lhe atira com uma cadeira e a mochila. Sabe-se então que um mês antes outro professor se havia suicidado por já não suportar mais as injúrias e achincalhamento dos alunos numa turma problemática. E tudo isto em várias escolas de diferentes localidades portuguesas. Num dos países mais pacíficos e ordeiros da paradigmática civilizada Europa.
Mas que se passa? Algo vai mal no reino da educação! E isto não somente em Portugal! Por todo o mundo encontramos os mesmos sinais de rebelião e desrespeito pelas normas de conduta e civilidade que nos guiaram por milénios.
Os paradigmas caem de seus pés de barro. Os modelos rebelam-se e alternam. Os propósitos não são mais os mesmos. Todo o corpo social se revolve num preâmbulo de anarquia e caos. Afinal prefigura-se uma generalizada ruptura cultural, nas mais variadas tradições nacionais e regionais.
Mas não podemos ficar pela observação passiva da constatação do anunciado óbvio. É necessário que cada um faça a sua melhor parte! Está lançada a corrida ao design dos arquétipos do futuro. Que O Divino nos ajude! E inspire!!!
