quinta-feira, 14 de agosto de 2008

FISGA


Eu sofro de Sindroma de Pânico, presentemente (já à um longo presente) associado a uma Depressão Distímica.


Logo me perguntam o que é isso de Distimia?
É uma forma de depressão prolongada que apresenta sintomas de certo modo semelhantes à Doença Bipolar.
E isso traduz-se em quê? Perguntarão. Ora aí vamos...


Roller Coaster!!!
Yuuupiiiiiiiiiiii!!!......... AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!.....................
Uma montanha-russa!


É sentirmo-nos como se fossemos uma fisga psicológica, com reflexos físicos. Somos esticados até ao ponto de pré-ruptura, para depois sermos largados. E disparado o projéctil, pendemos banboleando lassos e imprestáveis. Até ao próximo arremesso.


Continuadamente vivemos na ignorância de quando será a próxima crise, pois elas podem ser desplotadas sem motivo aparente. Um momento estamos calmos e tranquilos e no seguinte, sem que nada em redor se tivesse alterado, podemos estar completamente eufóricos, rindo tolamente perante a estupefacção de quem nos rodeia na ocasião. Ou então podemos ficar no maior desalento, com uma tristeza profunda motivada por nada.


Então a vida começa a tornar-se um fardo imensamente pesado. Um medo imenso do momento seguinte, por não sabermos como iremos estar nesse momento seguinte. Por não encontrarmos razão para continuar vivendo, para continuar esperando que alguma vez consigamos a tranquilidade que proporcione alguma felicidade.


E, então aí, sentimos uma sombra rondando perto. Dissimulada. Escondida. Mas suficientemente próxima para sentirmos o seu bafo nos roçando a espinha e os seus véus negros nos toldando a razão. E a sombra toma forma. E a forma toma um propósito. E o propósito é morrer. Acabar com esta Pedra de Sisifo. Finalmente descansar...


Hoje falei de mim.


Perdoem-me o egoísmo do desabafo.


Contudo eu não sou o único a viver este drama. Somos milhares. Muitos de nós vivemos ao teu lado e tu ao olhar nem te apercebes que por dentro vivemos assim.

3 comentários:

Paulo disse...

ManDrag

Como te sinto, como me sinto...

Feliz por me chamares aqui...

Durante anos a fio, sofri depressões profundas e arrebatadoras. Fui sujeito a medicamentos terriveis, com efeitos secundários a curto prazo, bem maiores do que aqueles que sinto agora, com a medicação para o VIH, cujos efeitos surgirão a médio e longo prazo.

E tudo porquê?

Porque apesar de nunca ter tido comportamentos de risco como conduta da minha própria vida, houve um, e apenas um, e foi o suficiente para que fosse infectado. Uma vez apenas, com alguém por quem me apaixonei muito, muitissimo, ao ponto de prescindir da protecção por se tratar de uma pessoa de "bem", imaculada, aos meus olhos fechados pela loucura da paixão.

Algo que me disse que poderia ter sido infectado, e fui... Foram anos após anos de dúvida, na certeza que eu próprio tinha.

As depressões tiveram esta causa.

Sinto o que sentes e sinto-me assim, independentemente da clarificação clínica para o assunto.

Alma gémea e o resto tu e eu sabemos, porque somos assim.

Percorro-te no elástico da tua fisga, para que nunca te sintas só, pois enquanto o destino me conceder estarei sempre contigo, em prol do alívio que ambos necessitamos, quando atingimos a elasticidade máxima, com retorno obrigatório.

Abraço-te ManDrag.

ManDrag disse...

Salve! Paulo
Bem hajas pela visita e pela cumplicidade gémea.
Tenho vários amigos seropositivos e quando estou com eles, nunca me lembro de que estão doentes. A força da vida é superior à doença.
Os que carregam sobre os ombros o fardo da enfermidade e sobre a cabeça a Espada de Damocles aprendem o valor de cada momento da vida. E cada segundo passado é uma vitória.
O meu SP tem origem na sequência de percalços de vida que sempre me acompanharam, mesmo até antes do meu nascimento. A distimia é o resultado de não me ter permitido extravasar todo o potencial criativo que brota do mais profundo da minha alma, como um géiser ininterrupto. Assim fui inchando, inchando, até perto do ponto de rotura.
Mas pelo percurso desta solidão vamos encontrando sempre novos companheiros de solidão.
Mesmo a Solidão é companheira.
Te guardo no meu Coração de Dragão, companheiro de Solidão.
O meu abraço Paulo, o Bravo.
Salutas!

Serginho Tavares disse...

meu amor
eu te amo de qualquer jeito com ou sem síndrome de pÂnico porque amo a tu e isso é o que me importa