domingo, 15 de maio de 2011

JÚLIO E A CIGANITA

Quando eu era criança, ainda vivendo com meus pais e irmãs - logo bem criança mesmo, com menos de 10 anos – minha mãe oferecia-me livros da colecção das Aventuras dos Cinco, da escritora Enid Blyton, como prémio pelos meus bons resultados escolares. Eu adorava a leitura dessas histórias ricas de aventuras ao ar livre, convívio despreocupado entre os 4 adolescentes (Júlio, David, Zé e Ana, o quinto elemento do grupo era o cão Tim) e muitos modelos de comportamento e atitude (como bom virginiando sempre aspirei a assumir uma postura elevada e conveniente), já para não falar das ementas deliciosas profusamente descritas pela autora que nos fazia sentir como se participássemos daqueles manjares, que maioria das vezes não passavam de merendas de pic-nic, compostas de sandes e refrescos.

Uma memória dessas leituras, que guardei para toda a vida, foi um diálogo entre Júlio, o mais velho do grupo e uma personagem ocasional, uma menina cigana com quem partilharam uma aventura no “Os Cinco e a Ciganita” e se resumia apenas nisto:

- Porque cheiram sempre tão bem as tuas mãos? Como se tivessem perfumadas? – perguntava a ciganita, segurando as mãos cuidadas de Júlio entre as suas.

- Porque lavo as mãos com sabonete, para que estejam sempre limpas.

Simples e claro. Entendi e assumi o hábito. Não basta tomar banho para estar limpo; as mãos, como ferramenta fundamental no nosso quotidiano, deverão estar sempre bem limpas e tratadas. É com elas que manipulamos tudo, inclusivamente o que levamos à boca e ingerimos.

5 comentários:

Serginho Tavares disse...

Fiquei com vontade de ler estes livros... É justamente este tipo de educação que as crianças precisam, simples e direta para se tornarem adultos melhores.

Beijos meu amor

Mari disse...

É uma maneira divertida e fácil de ensinar. Admirando os personagens a criança tem mais vontade de imitar os bons hábitos.
Eu tb obtive bons exemplos da antiga TV cultura, que tinha programas excelentes pra crianças. Havia um ratinho, muito limpinho, que lavava até o dedão do pé, como cantarolava na musiquinha :)
São doces essas memórias.
Obrigada pela viagem no tempo,amigo!

São disse...

Ah, meu bem, que me fizeste recuar décadas e décadas: devorava esses livros!

Abraço enorme

Paulo Braccini disse...

memórias deliciosas ... eu me lembro das Aventuras do Zezinho!

Wanderley Elian Lima disse...

Existem lições que aprendemos quando crianças, e nunca as esquecemos.
Bjão