quarta-feira, 10 de agosto de 2011

ESCRITA; MEU UNIVERSO

Escrever é mais importante que a nossa própria vida.”*

Eu passo, arrastando atrás o manto macio e aveludado da solidão. Fiel companheira.

Tudo parou! Por vezes a vida deixa de acontecer e o que se passa é uma agonia continuada dum quotidiano insípido e enfadonho de inútil e sem propósito. Uma garfada de arroz, uma xícara de café, um assistir os noticiários com as mesmas crises financeiras, o mesmo desmascarar inconsequente de políticos corruptos, as mesmas guerras absurdas... e a mesma insatisfação de sempre. A mesma frustração, que corrói e mina o ânimo, a vontade.

Demoro muito a entrar, depois fico dentro daquela lógica e tenho muita dificuldade em viver. Tenho muita dificuldade em viver a vida comum enquanto estou a escrever. É viver uma outra coerência, em que as coisas são outras, os personagens são outros, que não admite interrupções, interferências, em que sair e entrar desse mundo não é fácil, é muito doloroso, até. ... Ninguém nos visita. Não há Deus nenhum que nos venha visitar. Não é Apolo, não são ninfas nenhumas, nem seres mágicos. Somos nós! É uma capacidade de concentração, que se tem.”*

Eu queria que tudo parasse! Que o silêncio se fizesse em redor. Que a ausência de mundo fosse a paz necessária. Que o silêncio fosse a folha em branco esperando o nascimento dos caracteres e das ideias ganhando expressão e formando o texto.

Estou convencida que vale a pena trocar tudo para se deixar uma página bem escrita.”*

Nota: Transcrições (*) em itálico são excertos duma entrevista dada por Lídia Jorge a que assisti no blog “As Cores da Vida” (link).

10 comentários:

Beth/Lilás disse...

Bom dia, ManDrag!
Palavras, que apesar de leve traço de
depressão diante de tantos casos mal resolvidos, dizem muito, dizem a cruel realidade de nossos dias em que não vemos nada mudar e que vai minando as forças e a alma.
Desejo-lhe, apesar de tudo isso, um dia calmo e de força para levantar-se e ir em frente. Lembro-me sempre dos japoneses que não se deixam derrotar.
beijos cariocas

Serginho Tavares disse...

eu também desejo isto para ti meu amor
desejo todas as coisas que te possam fazer feliz
te amo
muito

Silenciosamente ouvindo... disse...

O amigo tem uma grande capacidade
de escrita e eu gosto do que
escreve.Beijinho
Irene

São disse...

Escrever é o sangue que corre na alma e é tão importante como o que que corre nas veias.

Um abraço enorme

Patrick Pereira disse...

Belas palavras.
Ultimamente sinto o ânimo escorrer pelas mãos. E nem o otimismo consegue vencer os golpes da realidade.
Abraço!

Diogo Didier disse...

Escrever não é apenas espalhar códigos linguisticos numa folha de papel, mas sim formar rotas imaginárias que vão servir de trilha para a caminhada do homem. Esse sim é um dos muitos papeis exercidos pela escrita! bjoxxxxxxxxxxxxx querido!

Serginho Tavares disse...

Escrever é estar vivo. Ou quase isso.

Lobo disse...

Mas é graças a rotina que temos esse ímpeto de buscar o novo e o desconhecido. Pelo menos algum mérito ela merece :p

Um beijo!

Glorinha L de Lion disse...

Amigo como te entendo! E que lindo excerto da Lìdia Jorge..é exatamente isso o que sinto quando adentro o mundo da escrita...e como tenho me sentido assim ultimamente...te compreendo, como nem imaginas....beijo grande e meu abraço solidário,

Paulo Braccini - Bratz disse...

gostei ... vou visitá-la