quinta-feira, 17 de maio de 2012

HISTÓRIA PRO CARA...



A tarde estava quente e o sol reinava alto e estourava de calor. As ruas da cidade velha estavam desertas. Abandonados e trocados, por caixotes habitacionais incaracterísticos na periferia, os edifícios do centro histórico esperavam a misericórdia duma politica de revitalização urbana que os trouxesse à vida. E assim, entre fantasmas históricos de alvenaria, prosseguíamos rumo ao nosso destino.

Falhei na escolha do percurso, pelo que tivemos que atalhar caminho por uma transversal, igualmente deserta. À excepção dum vulto deitado na beira da estrada, na sombra dum prédio. Era um homem não-velho, embora gasto e carcomido pelo tempo, como todos os que não têm tecto e subsistem pelas ruas, imundos e assustadores. Jazia semi-nu e adormecido. A única coisa que vestia eram uns calções de ganga desabotoados e de onde se expunha o pénis que ele segurava com uma das mãos.

Passámos. Perplexo e divertido, perguntei ao meu companheiro: - Viste?

E assim se manda a História para o cara...!

5 comentários:

Malu Machado disse...

"Era um homem não-velho, embora gasto e carcomido pelo tempo"

"Vistes?" Poucos são os que enxergam.

Serginho Tavares disse...

-Sim, eu vi e apesar de divertida a cena, perplexo estava em saber que aquilo era real.

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

tenso!

São disse...

Os sem-abrigo são invísiveis em demasia.

Abraçso .

Raphael Martins disse...

Mais uma vez enriqueci meu vocabulário!