quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

LENDO JORNAIS: O NÓ CEGO

O NÓ CEGO por António Barreto

Recentemente António Barreto publicou no Público um artigo sobre a reeleição de Cavaco Silva à presidência portuguesa. Trago aqui algumas passagens:

“O Presidente eleito não vai ter surpresas. Já sabe que país tem e o estado em que se encontra. O Governo e os partidos também não. Sabem o que têm e o que fizeram. E sobretudo o que adiaram. Surpresas, a breve prazo, talvez as tenham os cidadãos.”

O nó cego na vida política portuguesa e o impasse na actividade económica e na situação financeira exigem acção. Depois de cinco anos de adiamento e de agravamento, após quase dois anos de suspensão e azedume, já não é mais possível fazer de conta, protestar de modo impotente ou olhar para o lado. O que se segue a esta eleição de calendário não é previsível.”

“A falta de previsibilidade é má conselheira. Pior: revela a miopia dos responsáveis políticos, reféns de interesses particulares e de instâncias internacionais. Tudo o que podia ter sido feito há anos (coligação de governo, aliança parlamentar, plano nacional, programa de emergência, recurso financeiro internacional, etc.) foi adiado de modo incompreensível, por causa da incompetência, da ignorância, da covardia e da cupidez dos agentes políticos. Tudo terá de ser feito em piores condições e em mais terríveis circunstâncias.”

“Justiça deficiente e corrupção alimentam-se reciprocamente e combinam à perfeição com um sistema de partidos e de governo que as tornou indispensáveis à sua manutenção. A Administração Pública submeteu-se ainda mais à voracidade partidária. Alguns interesses económicos, os que mais dependem do Estado e os que menos escrúpulos têm, souberam capturar as instituições públicas e a decisão governamental.”

O Estado perdeu a sua liberdade, a sua isenção e a sua capacidade técnica e científica. É o administrador dos interesses de algumas corporações e de alguns grupos económicos. Por esse serviço, o Estado cobra, para os partidos, uma gabela ou um tributo. A corrupção, em Portugal, não é apenas o pagamento ilegal feito para obter vantagens públicas. É um sistema, frequentemente legal, de cruzamento de interesses e favores, de benefícios e vantagens, ao qual ninguém, nos superiores órgãos de poder político, parece querer realmente colocar um travão.”

4 comentários:

São disse...

Barreto está correcto. mas este discurso comtra os partidos é perigosso, pois a alternativa subjacente é a ditadura...e essa não, obrigada!

Quando se faz a crítica(certeira como esta é) tem que se dar alternativa.

Um abraço.

Paulo Braccini disse...

lembra muito estas terras tupiniquins daqui ... ou não?

;-)

Serginho Tavares disse...

Não é muito diferente do Brasil...

António Rosa disse...

De acordo com a São. Mas este tem sido o discurso corrente de António Barreto, tanto que agora faz parte do grupo dos 'tremendistas'. Abraço.