domingo, 12 de dezembro de 2010

CANÇÃO DE MADRUGAR

Revolvendo nas saudades e nas memorias, encontrei a versão original da Canção de Madrugar, que é mais uma das pérolas da música ligeira portuguesa. Mais uma bela melodia de Nuno Nazareth Fernandes, baseada num excelente poema de José Carlos Ary dos Santos. No original foi apresentada por Hugo Maia de Loureiro, que com ela concorreu ao Festival RTP da Canção de 1970.

Depois procurei versões diferentes e achei esta actualizada, na voz de Susana Félix, que aqui vos apresento.

Canção de Madrugar

De linho te vesti

de nardos te enfeitei

amor que nunca vi

mas sei.

Sei dos teus olhos acesos na noite

- sinais de bem despertar -

sei dos teus braços abertos a todos

que morrem devagar.

Sei meu amor inventado que um dia

teu corpo pode acender

uma fogueira de sol e de fúria

que nos verá nascer.

Irei beber em ti

o vinho que pisei

o fel do que sofri

e dei.

Dei do meu corpo um chicote de força.

Rasei meus olhos com água.

Dei do meu sangue uma espada de raiva

e uma lança de mágoa.

Dei do meu sonho uma corda de insónias

cravei meus braços com setas

descobri rosas alarguei cidades

e construí poetas.

E nunca te encontrei

na estrada do que fiz

amor que nunca logrei

mas quis.

Sei meu amor inventado que um dia

teu corpo há-de acender

uma fogueira de sol e de fúria

que nos verá nascer.

Então:

nem choros nem medos nem uivos

nem gritos nem pedras nem facas

nem fomes nem secas nem feras

nem ferros nem farpas nem farsas

nem forcas nem cardos nem dardos

nem guerras

nem mal


Dedicado ao Amor e àqueles que Amam


8 comentários:

Serginho Tavares disse...

Fato: um lindo poema cantado divinamente!

Beijos meu amor e obrigado por compartilhar conosco coisas tão lindas!

São disse...

Gosto da cantora, mas -como sempre-prefiro o original!

Um abraço.

Sabes? Hoje ainda tive mais saudades tuas: fui ao Dª MARIA ver "1974" e acho que irias gostar muito.

Além disso , a nossa história recente de antes e do depois do 25 de Abril está ali certeira: a caricatura/ crítica à Assembleia da República é feroz e deixa-nos entre o riso e o pranto.

Malu Machado disse...

Mandrag, não conhecia nem a cantora, nem a música. Gostei dos dois. Belíssimo poema.

Obrigada por dividi-lo conosco.

Um abraço

António Rosa disse...

ManDrag

Belo post, lusas emoções. Gosto de fado, mas tenho ouvido pouco.

Clarice disse...

O que fazem palavras colocadas na ordem certa!
Abraços.

Serginho Tavares disse...

Voltei só pra dizer que te amo!
Muito!

Beijão

Diogo Didier disse...

AMIGO, DESCULPE NÃO COMENTAR O SEU POST, MAS PRECISO QUE VOCÊ DÊ A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA UM POST DO MEU BLOG.

É MUUUUUUUUUUIIIIIIITO IMPORTANTE!

http://serfelizeserlivre.blogspot.com/2010/12/2010-o-ano-dos-gays-o-ano-da-homofobia.html

BJOXXXXXXXXXXXXXXX E OBRIGADO

Diogo Didier disse...

Perdoe a minha indelicadeza. Fiquei tão indignado com alguns comentários feitos no meu blog que só pensei em encontrar pessoas como você para me ajudar a sustenta o meu posicionamento.

A música é realmente LINDA. Eu não conhecia essa cantora, mas pelo visto vou baixar algum album dela hj rsrsrsrsrs...PARABÉNS PELO BOM GOSTO!

Estarei sempre por aqui...bjox
E OBRIGADO PELO COMENTÁRIO!