quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

VAMOS BRINCAR

Vamos brincar de criança? Vamos brincar de adulto? Vamos brincar de faz de conta, ou vamos brincar de medo?

A rua é um rio por onde desfila a vaidade e o receio do que queremos e não queremos mostrar, do que queremos e não queremos que os outros vejam. Dum lado o impulso, do outro o padrão, a regra, a vergonha.

O cortejo estreita-se entre o jardim e a jaula. E agarramo-nos à tradição; pendurados de ritos que nem entendemos, como jumentos atrelados numa carroça. É o desfile da história, o desfile do faz de conta que somos assim e até felizes.

Vamos brincar de bonzinhos? Vamos brincar de que até nem vemos, de que até nem nos importamos? Vamos brincar na rua? Com a fantasia que os outros escolheram para nós? E receber os aplausos quando tudo está certinho. Tudo ao jeito deles! Que importa o quão nos sentimos nós, ou confortáveis, atrás da máscara que nos impõem? O dia é sempre deles. E com a igreja sempre ao meio!


Nota: Este texto é a minha participação para o desafio de blogagem colectiva “Minha Ideia é meu Pincel” lançado pela amiga Glorinha L de Lion do Café com Bolo, inspirado no quadro “Bumba Meu Boi” de António Poteiro.

12 comentários:

Serginho Tavares disse...

Eu queria brincar, mas depois do texto mudei de ideia e pensei melhor: vou fazer a lição de casa!

Beijos meu amor

António Rosa disse...

Ao olhar para o quadro, dei comigo a pensar que ao longo da vida, vi muitas exposições e visitei inúmeros museus, mas o que retenho com nitidez, é que nunca parei nas salas dedicadas ao naif. Tenho a certeza que é uma falta de sensibilidade minha. O naif também nunca foi a minha praia no que toca à arte.

Ao ler alguns posts, estou a aprender o que quer dizer 'Bumba, Meu Boi'. Não fazia amais pequena ideia.

Aproveito para me despedir da blogagem coletiva, que nos trouxe experiências muito interessantes.

Agradecido.

pensandoemfamilia disse...

Vamos brincar sem as máscaras, sem as imposições e os medos. Vamos brincar de roda, enredar todos os que aderem a simplicidade do olhar da criança.
Parabéns pela sua participação.
bjs

Beth/Lilás disse...

Brincar. Esta foi a inspiração que tivestes diante desta linda tela do Poteiro e o que deveríamos fazer mais nesta vida, cheia de compromissos e funções.
Bela participação!
um super abraço carioca

Siala disse...

só tenho uma palavra...
PODEROSO!
Namasté

Paulo Braccini disse...

não sei se gostei mais da ilustração ou se do texto ... adoráveis ...

bjux

;-)

Glorinha L de Lion disse...

Inspiradíssimo, amigo Man Drag! Embora as festas sejam o ópio do povo, há que se ter alegria, mesmo com toda a tristeza que permeia a vida! Acho muito válida a tua visão crítica, pois és de uma inteligência ímpar e te respeito demais. Gostei de tua visão, diferente das demais, mas que ainda assim muito enriqueceu a blogagem e a proposta desta coletiva. Refletir, pensar, tirar de dentro de nós o que a tela desperta, acho que o objetivo foi atingido por ti, e por tantos outros com perfeição, meu amigo. Obrigada, muito me honrou ter-te como parceiro nesta empreitada, por vezes complicada, por vezes emocionante, como foi hj. Grande beijo,

orvalho do ceu disse...

Olá,
Foi de uma descrição impecável, com gosto nas plavras, mesmo não tendo deixado de particpar dos festejos que a Tela nos inspira. Parabéns!!!
Amanhã tem sorteio no meu Blog IDADE passa lá... é pra quem participou dessa Coletiva... vou esperar vc, tá?
Abraços fraternos

Suziley disse...

Oi, Man Drag:
A tua postagem recordou-me a canção "ê, ô, vida de gado, povo marcado ê, povo feliz"!! Crítica reflexão. Valeu!! Boa noite, abraço :)

São disse...

Gosto imenso de pintura naif... de teu texto, para mais com a referência à igreja sempre presente, nem é necessário dizer o quanto o apreciei.

Bom final de semana.

Clarice disse...

O texto-crítica está irretocável, mas triste. Aquelas crianças ainda não sabem nada disso, ou só o suficiente. Só o que captaram dos adultos. Esquecem tudo na brincadeira de roda.
Vamos girar, girar?
Abraço.

Hürrem disse...

Amigo ManDrag, o texto esta bonito, como tudo o que vc escreve, mas bastante obscuro..nao sei, acho que nao foi essa a ideia que Potero quis expressar..acho que ele quis expressar alegria em meio a toda a pobreza e dificuldades existentes nas regioes mas dificeis do Brasil. Eu ja usei essa mesma gravura em um trabalho no passado, mas a interpretaçao foi a alegria das coisas simples...Abraços