quarta-feira, 21 de julho de 2010

DIREITO DE RESPOSTA

Há um momento em que se tem de dizer: BASTA!

Eu nasci em Moçambique sob os auspícios da Bandeira Portuguesa e assumo a minha nacionalidade portuguesa, com muito orgulho dos feitos históricos e civilizacionais com que este povo simples, mas ladino, favoreceu e favorece a Humanidade.

Eu sou português! Vivi durante os mais recentes 40 anos da minha vida em Portugal; o tempo suficiente para ver como um povo oprimido soube sair em liberdade duma sociedade quase rural transformando-a numa de modelo urbano tranquila e cordial, sem cair na vulgaridade do crime e da baixaria de costumes propiciados por uma má formação de carácter social e moral.

Ontem à tarde eu e o Sérgio, falávamos com um vizinho do prédio (homem duns 40/50 anos) e com o seu filho (moço duns vinte e tal anos) sobre computadores e as dificuldades de acesso rápido à internet, quando o homem se saiu com um infeliz “O teu computador deve ter é memória de português!” Eu olhei para ele e mostrei-lhe o meu sorriso amarelo. O indivíduo não entendeu e continuou a sua verborreia xenófoba, para grande constrangimento do filho, até que o Sérgio lhe lembrou: “Ele é português...” O cara nem tinha sacado pela minha pronuncia que eu era português?! Mas afinal é vizinho e sabendo bem da história da minha presença no condomínio... ou será que a memória brasileira dele não é assim tão aquela coisa?

Embaraçados ele e o filho retiraram-se e a conversa ficou por ali.

Ao voltar para casa mergulhei nos blogs amigos, esquecendo o episódio, mas nos comentários a uma publicação de um deles lá fui encontrar uma listagem de epítetos xenófobos com que os brasileiros mimoseiam os que não lhe são iguais: “Português burro, turco pão duro, negro ladrão, amarelo porco.” A avaliar pelo rol os brasileiros acham-se o supra-sumo das virtudes.

Já tive de pedir a brasileiros, meus correspondentes na internet, que tenham a delicadeza de retirar o meu nome da lista de envios quando for para enviar anedotas de mau-gosto sobre portugueses, as quais nenhuma corresponde à verdade e quando analisadas se percebe que são adulteradas no seu relato para visar propositadamente o eterno bode expiatório: o português.

Vejo-me confrontado diariamente com referências depreciativas e injuriosas aos portugueses, tanto nos falares das gentes na rua, como na internet e mesmo nos órgãos informativos. Além do modo paternalista com que todos entendem que me devem advertir, como se eu fosse um mentecapto infantilóide incapaz de me governar. Tem até gente que fala para mim pausadamente e vincando acentuadamente as sílabas como se eu não falasse e entendesse português.

A ignorância magoa, a ignorância ofende.

Foto: Bandeira de Portugal no Castelo de Guimarães. Clicar na foto para ampliar.

6 comentários:

Paulo Braccini disse...

todo e qualquer tipo de preconceito e intolerância é fruto da ignorância ... o pior é que ninguém se apercebe do fato de que ... todos sem excessão, em algum momento de suas vidas também será segregado por algum motivo ... mas mesmo assim se acham ...

parabéns pela contextualização ...

bjux

;-)

São disse...

Preconceito e racismo são sinal de estupidez!!

Recebeste o e-mail?

Abraço, Amigo.

Serginho Tavares disse...

De fato meu amor, não tem coisa pior que ignorância.

Amo te.

Clarice disse...

Mandrag, é perfeitamente compreensível teu discurso. Concordo em gênero e número.
Infelizmente o mundo todo adota expressões que nada tem a ver com esta ou aquela linhagem ou origem. Veja quando se diz que a situação está preta! Isso também deveria ser encarado como preconceito. Outras tantas! "A coisa tá russa." "Italiano pata de vaca."
Afora todo teu arrazoado, há que se considerar que algumas dessas expressões tem um acento, digamos, de ligação com as gentes, não ofensivo. Por outro lado, "neguinha" é extremamente afetuoso. Concorda? Meu pai chamava minha mãe: Nêêêga!Esqueci a toalha! Minha mãe é italiana branca a mais não poder. Isso era chamar de "amor", de xodó.
Nossa! Fiz um discurso pra dizer que uma vez ou outra sempre repetimos sem pensar e sem pretender ofender.
Aqui em Floripa, de colonização predominantemente portuguesa, além desse fato, ainda há os que nasceram na Ilha de Santa Catarina(onde moro) e que ostentam com muito orgulho o "manezinho". Ninguém se ofende, não. Pelo contrário. É uma palavra que os distingue.
Claro que nem todos o fazem com afeto, ou para sinalizar uma ligação, mas gostaria de sugerir a você que tentasse ver isso não como desprezo. Sei que os habitantes do sul são vistos e até tratados como simplórios(palavra de um português da gema!), não que isso seja ofensivo, mas lhes garante autenticidade.
Imagine o que há de piadas mundo afora sobre brasileiros!Se rirmos de nós teremos motivos para rir sempre, não é?
Nós amamos os portugueses(odiamos alguns, é verdade) assim como tantos outros povos. Não há um país que aceite tão bem todos os povos do mundo, você sabe. Os bons, os canalhas, os criadores, os destruidores.
Assim que os brasileiros deixarem de ser impulsivos pensarão mais antes de falar.
Olhe de cima, meu caro. Como dizia aquele colunista carioca: Os cães ladram e a caravana passa.
Abraço.

Hürrem disse...

Mandrag vc está certíssimo no teu protesto!! Veja bem que brasileiro tem essa tendência mesmo, a maioria se acha esperto, não respeitando os outros povos e outras culturas.

Mari disse...

Mandrag acabei de ler seu protesto e concordo com ele todo!

O brasileiro realmente tem que tomar uma aula de educação e respeito à cultura alheia.

Claro nem todos, mas as piadinhas são demais! Eu como boa brasileira,não suporto essa piadas idiotas!

Portugal é um sonho para mim! Um dia ainda conheço de pertinho.Tenho sangue português por parte do meu bisavô,que não conheci infelizmente,mas prezo e guardo com orgulho o seu sobrenome Biscainho.