terça-feira, 6 de julho de 2010

A FALSA QUESTÃO - EDUCAÇÃO

Na foto: "A Escola De Platão" de Jean Delville

“Quanto custa?” é a falsa questão. Válido é questionar “Pode ser feito?”.

“Quanto custa?” é uma questão de índole capitalista que revela o pensamento burguês sobre propriedade e lucro.

A evolução da Humanidade não tem preço.

A economia tem de estar ao serviço da humanidade e não ao serviço do seu próprio sucesso. A humanidade não tem de ser escrava da economia.

O discurso de que o desenvolvimento humano depende do sucesso económico é uma falácia capitalista com o único objectivo de escravizar todos a um sistema perverso de valores desiguais.

A grande revolução será focalizar o objectivo do esforço humano na formação ética e espiritual da humanidade. Educar verdadeiramente. Educar para a igualdade e a harmonia. Uma verdadeira fraternidade humana universal.

Parece este ser um discurso religioso?! E não será a religiosidade um sentimento intrinsecamente humano? O espírito religioso sempre esteve presente na história da humanidade e do seu desenvolvimento; mesmo os seus movimentos ateus assumem contornos dum missionarismo febril.

Não pode haver verdadeira elevação de consciência sem educação nem aprimoramento ético e espiritual. Para se construir um mundo mais justo tem de se começar por reformular todo o espírito educacional; mudar o foco da educação para uma verdadeira formação humana. O actual modelo educacional apenas serve os interesses economicistas do sistema capitalista. O ensino tem de voltar a se focalizar na formação literária como seu núcleo base e partir para a formação científica numa fase secundária. Que se parta duma ideia alcuiniana de trivium (gramática, lógica e retórica) e quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música) para a criação dum modelo de nova escola, com ênfase nos valores humanos individuais e humanistas.

Poderá parecer uma proposta retrógrada de modelo de ensino, por vir observar modelos medievais de estruturação universitária, mas por vezes é olhando atrás que se aprende a escolher o caminho em frente.

A questão não é “Quanto custa revolucionar o ensino?” mas sim “Pode ser feito?”. E a resposta é “Pode, temos todas as condições humanas, materiais e técnicas para o fazer.”

2 comentários:

Mari disse...

Eu concordo com o que disse Mandrag. Porque até para aprender as disciplinas exatas, precisamos ter boa noção da nossa língua.

Um aluno pode errar num problema matemático não por falta de conhecimento dos números, mas por não saber interpretar a questão.

A leitura e interpretação de textos, junto com o ensino da língua, são ferramentas importantíssimas.

E tb, na educação escolar e familiar, é indispensável o ensino dos valores, da moral, de cidadania.Assim podemos crescer com maiores chances de entender e agir eticamente dentro da dinâmica social ao nosso redor.

Serginho Tavares disse...

Acredito também que a questão é...
querem fazê-lo?

Amo te. Excelente texto meu amor. Como sempre!